Minha Droga De Vida
Minha
Droga De Vida
Droga de
tristeza, desanimo, tédio, ou provavelmente fome
Digamos assim, se é jovem
apenas uma vez certo? Então qual a moral de viver pelos cantos se pegando com
qualquer zinha que aparece. Ok, pode até parecer um drama de nerd que não tem
namorada e tal, mas sinceramente, a falta do atributo de nerd impede o
julgamento deste que vos fala. Quis começar assim desta vez porque a maioria
das pessoas considera logo que o jovem ou o adolescente está
triste/desanimado/entediado/esfomeado por esses motivos. Eu discordo. Tem um
momento estranho na vida de cada pessoa que simplesmente ela fica triste por
qualquer coisa ou sem razão nenhuma, simplesmente sabe-se lá o porquê, deve ser
os hormônios.
Essa manhã, não como
todas as outras, acordei no mais completo silencio. Diria que isso é incomum na
minha casa, onde o povo costuma gritar por qualquer coisa (Pega esse vestido
pra mim! Olha o cachorro andando torto! Alguém viu a notícia de ontem!), na
maioria das vezes está um do lado do outro e ainda gritam. O que me impede as
vezes de acordar tarde, apesar da minha recente descoberta, que fiquei imune ao
barulho. Então acordei era meio-dia e tudo em silencio, nem um pio sequer, e
nem gente me expulsando da cama (se pensaram que seria minha mãe, estão muito
enganados, seria a peste do Davy mesmo).
Aquela estranheza me fez
perambular pela casa ainda com a roupa de dormir, o que não é de meu costume já
que eu sempre tenho um hábito irritante até pra mim mesmo de fazer as coisas
sistematicamente e metodicamente, o que incluiria: acordar, tomar banho,
escovar os dentes, descer, tomar café, gritar com a Nina; essas coisas do
dia-a-dia. Então percebi, todos, absolutamente todos! Todos me abandonaram sei
lá por quê. Tentei achar alguma mensagem no celular ou recado na geladeira, mas
nada encontrei no final.
Sentei, ainda desarrumado
e provavelmente remelento no sofá e olhei pra um ponto fixo na parede. Aquilo
era bom ou ruim? Afinal a maioria dos adolescentes gosta de ficar sozinho e
curtir sei lá fazendo o que, nem me interessa (só para constar). Aí bateu uma
certa sensação de angustia que se misturou com a fome que fazia meu estomago
roncar. Enfim fui tomar meu banho e vestir uma roupa caseira, daquelas que a
gente veste só em casa para ficar confortável e que possivelmente jamais
sairíamos na rua com ela. Tomei meu café em silencio, bisbilhotei o quarto dos
meus irmãos em silencio. Outrora levaria uns cascudos da Nina por ler as
novidades no diário dela, nem sei pra que ela tinha aquilo, o pessoal agora
costuma divulgar todos os segredos e intimidades em redes sociais (acho que ela
ainda é reservada).
Mais a tarde peguei uma
rede que meus pais tinham e atei no quintal na parte coberta, fiquei uns
instantes por ali me balançando que nem velho esperando a morte. Observei o
desgraçado do passarinho que sempre sujava as nossas roupas no varal, nem
tentei matar ele dessa vez. Observei o gato do vizinho que roubou o jantar da
Nina num churrasco de domingo a noitinha. Até vi uma borboleta bem colorida
sendo engolida por um lagarto asqueroso. Aquilo meio que estava me inspirando a
pensar sobre a vida. Saí de lá.
Fiquei um tempo no quarto
revendo umas séries naqueles canais de TV a cabo. Nada de interessante, ou nada
estava interessante com meu animo atual. Fui pra varanda e percebi que até a
rua caçoava da minha cara, isso porque considerei caçoar mostrar sua imponência
de distância que se sumia ao chegar no horizonte onde eu conseguia ver. Tipo
falando pra mim “covarde, não tens coragem de seguir por mim até o
desconhecido”. Fiquei rindo desse pensamento por um momento breve de loucura.
Aí vi uma garota passar na rua, era loira e tinha olhos castanhos claros;
acenou pra mim e sorriu, eu também sorri, ela passou indo embora. Eu sei que eu
disse que não tinha nada a ver com paixão, carência e essas coisas, mas isso
aconteceu então falei e pronto. Depois dessa fui me deitar e tentar ler um
livro, aquele que eu enrolava há quase um ano. Acreditem, eu acabei de lê-lo, e
era magnifico.
Quando já quase pegava no
sono, umas 19h da noite, ouvi a barulheira chegando. Risos altos, alguém
gritando (Fêh) e alguém cantando com mais alguém (Nina e Davy, é incontestável
as duas criaturas mais desafinadas dessa casa). Desci meio cabes baixo, o que
seria o normal de descer uma escada para outras pessoas, mas pra mim anormal;
porque geralmente eu venho que nem doido quase caindo e passando por cima de
meus próprios pés, não que isso seja possível (Quem sabe…). Então todos que ainda estavam entrando em
casa se depararam comigo estranhamente calmo, e logicamente encafifaram. Aí
começou as perguntas.
Na mesa para o jantar
descobri o que havia acontecido. Meus pais esqueceram de deixar um recado para
eu ir na casa da mãe do Davy, minha tia. Então eles pediram pro Davy mandar uma
mensagem, o diabo esqueceu e disse que tinha mandado quando perguntaram. Aí
acabei em casa melancólico sem ninguém e perdi um bom churrasco por causa do
meu “querido” priminho. Ele dormiria em casa naquela noite, o que já era comum.
No entanto, pro azar dele que sempre dormia no meu quarto na cama de baixo, um
certo monstro iria visita-lo em resposta ao meu pedido de vingança. Acho que
alguém não ia dormir naquela noite, e não dormiu.
Fazer o que né, nem todo
dia é festa na mente dos loucos. Se fosse todos os dias alegria constante, não
entenderíamos o sentido de aproveitar os bons momentos intensamente. Afinal mais
um motivo para agradecer por esse ser o Minha Droga De Vida.
Wilson P.
Lobo



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