Heart Attack VIII


Capitulo VIII
A despedida
         Não demorou muito o discurso, a criatura não perderia mais de seu tempo. A casa continuava a ranger, parecia estar passando de uma dimensão para outra. Uma névoa esquisita e negra percorria os corredores, foi quando as vozes começaram. Aqui, estamos aqui. Ouvia-se pessoas caminhando pela casa, passos de gente correndo. Gritos. Então Joe abriu as portas. Uma mulher pálida de vestimentas antigas entrou com duas crianças. Joe não demonstrava, mas de seus olhos escorriam lágrimas. Heattack percebeu a reação dele e disse: Não se preocupe, em breve poderás vê-los e estar com eles.
         Então os fantasmas sumiram, a casa entrou em total silencio. Quase como um luto por si mesma. De repente os dois começaram a se contorcer na parede, foram arrastando-se como que pressionados pela gravidade reversa até o teto. Durante todo percurso sentiram seus ossos rangerem, feridas eram expostas nos corpos. Começara a pingar sangue de ambos no chão. Seus olhos pediam socorro, desesperados de dor, a voz não saía mais. Um corte apareceu nos pulsos de Serena, depois no de Jhon. O sangue parecia ter vida própria, escorregou pelo teto sem cair no chão. Deslizava como serpente ao redor dos corpos já quase mortos. Joe saíra do quarto e observava lá de fora como um vigia. Andrew em algum momento se ajoelhara abaixo de onde estava, aquele sorriso ainda permanecia em seu rosto doente. No teto surgira aquele círculo simbólico, era um ritual afinal de contas. Ninguém apareceria, ninguém estava sendo chamado, o que poderia ser invocado já estava ali. Era apenas um gracejo, uma piada da entidade. Até mesmo velas pretas surgiram dentre uma neblina espessa e escura.
         Uma faísca e todo o sangue começara a queimar, no teto e agora em um círculo no chão em volta de Andrew. Sinais queimavam por todas as paredes. Jhon e Serena respiravam pela última vez, quando tudo cessou... Na parede ficaram os símbolos negros queimados. No teto também. Com enormes queimaduras por todo corpo Jhon e Serena aguentavam apenas pela vontade da entidade. Foi quando Andrew saiu do quarto, e simplesmente o coração deles parou.
         Joe entrou rapidamente no quarto sem entender o que era aquilo tudo. Seus olhos desesperados percorriam cada monstruosidade ali, onde estavam seus pais? Então ele olhou, ele realmente olhou para cima e viu ambos pregados ali, queimados. Os corpos despencaram quase em cima dele, deixando no teto uma marca esquisita. Joe gritara a plenos pulmões, quase ficara sem voz. Alguns vizinhos acordaram com o berro. Então o menino correra de volta para seu quarto onde tranquilo dormia Andrew.


Continua

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