Heart Attack IX
![]() |
| Escultura de Maria Rubinke |
Capitulo IX
Religião da Maternidade
A menina ruiva sorria enquanto o amigo a empurrava no
balanço. O vento espalhava os fios de cabelo pelo seu rosto pálido, para ela
estava indo tão alto que podia tocar o céu. Joe ouvia as risadas de Sendy e
aquilo o acalmava. Ele empurrava o mais delicadamente possível e para ela era o
suficiente, se fosse ele quereria o mais alto que alguém pudesse fazê-lo ir. No
fim, quando estivesse muito alto pularia e sentiria que por um segundo voou
para bem longe. Para a amiga aquela
ridícula força de empuxo bastava.
Violet saíra para fazer compras, Elizabeth em seu colo
dormia tranquila. Nem parecia a de um mês atrás, a que não parava de chorar.
Berrava a noite inteira, quase deixou todos na casa loucos. Agora parara. Nem
mesmo ligara mais para as mãos frias e brutas que a seguravam. Helena a viu
passar num corredor e a abordou.
¾
Não sabia que tinha uma filha. – disse.
¾
E não deveria saber... – Violet fora
indelicada, mas se não fosse assim, não seria ela.
¾
Sempre sendo uma vaca para não perder o
costume, não? – brincou a outra.
¾
Helena, minha querida, um dia até as mais
putas se convertem a essa religião da maternidade. – aquela conversa estava
começando a produzir algumas fofocas que correriam pelo bairro logo-logo.
Helena
rira alto, por pouco não parara o supermercado inteiro com seu pequeno
escândalo. As tiradas de Violet sempre foram as melhores, estava com saudades
desse sarcasmo sujo dela.
¾
Outra hora conversamos, quem sabe com umas
cervejas ou melhor, um uísque para que eu te aguente sua vagabunda sem concerto.
– terminou Helena ainda rindo, foi embora.
Violet
seguiu seu caminho como se nunca tivesse se encontrado com ninguém.
Andrew
finalmente encontrara sua bola. Joe e Sendy que já há um tempo o esperavam
foram em sua direção para a frente da casa. No parquinho onde estavam ficou
apenas o balanço solto ao vento do último impulso deixado para trás. Eles
montaram a trave com duas pedras equidistantes, decidiram as regras e logo
começaram o jogo de três pessoas. Como não tinha mais ninguém para goleiro ou
qualquer posição no futebol o jogo fora decidido como uma partida de gols, quem
fizesse mais ganhava. Um roubava a bola do outro até que conseguisse atirá-la
para além dos limites na vaga das duas pedras. Sendy jogava bem, isso
observando que ela quem mais ficava com a bola e a atirava na trave, errou
cinco vezes até então, mas era a campeã em tentativas. O sol os aquecia, aquela
euforia agitava o quieto bairro onde as crianças se socavam nos quartos com
seus tablets, celulares, computadores e videogames.
Violet
convidara Ruth para o almoço, simpatizara com ela; aliás nem tinha como não, a
filha da mulher vivia por ali. No fundo guardava um certo sentimento de
rabugice, por ela mandaria a mulher para puta que pariu, ela e a filha fresca.
Contudo, exteriormente simpatizara com ela. Estava dentro do proposito mais
importante. Chegara e vira aquela cena patética na frente de sua casa, passara
direto distribuindo sorrisos. Por mais falso que seu sorriso fosse, para quem a
visse estava radiantemente feliz. Qual era
o problema daquela mulher?
Às
12h30m estavam todos à mesa. Ruth exalava simpatia, ajudara Violet no preparo
do almoço. Chegara mais cedo dizendo que era o mínimo ajuda-la. A mulher não
tinha muitas amigas, e por algum motivo que Violet repugnava, ela decidira
realmente fazer dela sua amiga. A puta
não entende que apenas a convidei por conveniência. O guisado de carne
exalava por toda casa, Ruth tinha um dom na cozinha.
Fizeram
piadas, contaram histórias, até que fora um bom almoço. No final Ruth e Sendy foram
embora sorridentes. Bastara a porta fechar para Violet se jogar de pernas
abertas no sofá, por muito pouco sua buceta não aparecera a todos que passassem
pela sala. Ela não tinha costume de usar roupas intimas, e nem ia começar a
ter. Andrew passara a sua frente e nem se importara, era uma cena realmente
comum. Joe o mesmo. Elizabeth estava no quarto dormindo no berço. Ela estava
muito confortável para quem usava uma saia menor que um retalho de pano, Ruth
fora bastante educada para não comentar as vestimentas daquela recém “Mãe”.
¾
Agora temos que nos livrar da garota. –
disse Violet passando as mãos no cabelo. Uma leve dor de cabeça a assolava.
Continua



Comentários