Heart Attack VI
Capitulo VI
Pelos Olhos de Elizabeth
Aquela cigarra cantara desde que o sol
começara a se pôr. Aquele berro, canto, zunido estridente e irritante
perturbara desde então. O bicho nem estava tão escondido, dois ou três galhos o
escondiam. O cameleão que tinha mais ou menos três vezes o tamanho da cigarra
se aproximara há dois minutos, quantos mais ele esperaria para pegar o bicho? O
vento gélido carregava folhas secas e o som incomodante. Num silvo o camaleão
pegou a cigarra, engoliu o inseto tão rápido quanto durou seu ataque. Ele
esperara cada instante procurando a brecha perfeita para que não perdesse sua
presa, assim conseguiu a forma mais efetiva de ceifar a vida do inseto
perturbante.
Jhon e Serena foram dormir às 23h, o
dia estava quieto desde a tarde. Um silencio absurdo, poder-se-ia ouvir o som
dos passos em qualquer local da casa. O ranger das tabuas se dava a qualquer
passo dado, o pior era o da escada. As crianças corriam por toda parte, Sendy
estava na casa naquela tarde; pela manhã também. A menina se acostumara com a
companhia dos garotos, tinha um encanto estranho por Andrew; apesar de
considerar Joe mais “bonitinho”. A mãe de Sendy trabalhava numa escola, era
professora (pedagoga), amava crianças e adorava ajuda-las. Por isso sempre
esteve presente na educação da filha, já o pai, ele morrera há uns sete anos, quando
a menina tinha cinco anos.
A mãe de Sendy viera chama-la para o
jantar assim que deu seis horas. Serena abriu a porta, como sempre Elizabeth
estava em seu colo. Aquela criança tinha uma beleza sombria e até mesmo divina,
a mãe de Sendy se chamava Ruth, sempre que olhava para a bebê sentia um
formigar no estomago. Dois motivos a faziam sentir tremenda inveja da jovem
Serena, o fato de perder os ovários numa cirurgia de risco e o fato do marido
estar morto e ela não querer mais ninguém além da filha na sua vida. Ela sempre
arranjava motivos para passear ou sair com Elizabeth, Serena gostava dela, era
uma boa companhia. Por vezes as duas saiam para fazer compras, no mercado ou em
shoppings, até mesmo iam para a feira. Poder-se-ia dizer que eram boas amigas.
Sendy correra para perto da mãe, nem
mesmo despediu-se dos amigos, afinal no outro dia ou mesmo um pouco mais tarde
estaria lá de novo; quem sabe até os pais dos garotos a deixassem dormir lá.
Não naquele dia, aquele dia estava estranho demais, até pela insistência de
Ruth por levar a filha logo embora, naquele dia ela sentira um frio na espinha
assim que pôs os pés no terreno de Jhon e Serena, por isso saiu de lá as
pressas despedindo-se amistosamente da amiga. Sendy também sentira algo
estranho, mas não dera muita importância.
Jhon trabalhara até às 21h, voltara
para casa depois que sentira uma sonolência incomum. Aí decidira que não
trabalharia nessas condições, quem sabe o que poderia fazer com aqueles
contratos caso escrevesse com sono. Voltou pra casa e participara do jantar com
a família. Como sempre fora com Serena ao quarto dos filhos e lhes contaram uma
história infantil, daquelas de terror pois eram as preferidas deles. Assim que
acabaram foram deitar-se, Elizabeth não parava de chorar. A menina dormia com o
casal, seu berço ficava no quarto deles. Ela
vira do começo ao fim a chacina...
continua...



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