Fênix Ao Resgate X
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| Ilustração de como seria a antiga cidade de Mari, em Tel Hariri, Síria (imagem: DBpedia) |
Capítulo X
O
mapa
Estevan
bisbilhotava a mesa no escanteio da sala, quando seus olhos foram atraídos por
uma incomum ampulheta; a ampulheta era de ouro, mas a areia de dentro era
negra. O vidro lustroso e muito nitidamente transparente encantava os olhos do
menino, por que grãos negros? Pensava.
¾
Encontrei! – gritou Samantha empolgada.
¾
E o que tanto procuravas? – Estevan falou sem desviar os
olhos da ampulheta.
¾
Esse mapa encantado. Veja! Ele mostra todas as partes,
brechas, corredores e tudo mais do castelo – explicou Ela, estendeu o mapa encanecido
de quase um metro quadrado sobre a mesa onde estara a arrebatadora ampulheta
que Estevan admirava. –, mas o encanto disto é mais importante do que
simplesmente mostrar a arquitetura. Observe...
A
bruxa, muito habilmente, cortou sem receio o dedo com a adaga que antes estara
ao lado da ampulheta. Ela passou o polegar cortado sobre o mapa, o sangue
escorregou desenhando uma linha reta que sumia segundos depois.
¾
Deveria acontecer alguma coisa? – perguntou Estevan Cético e
impaciente.
Ela
não disse nada em resposta, observava atenciosa até acontecer o que esperava. Não
era um feitiço complicado, muito menos de alto escalão, mas vez ou outra ela
esquecia de pequenos detalhes; por isso estava atenta desta vez. Ainda lembrara
quando o aprendeu, naquele dia invernoso em Shanygne com sua avó; aquela bruxa velha era realmente uma mulher
desalmada... Pensou Samantha recordando das palmadas que levara quando não
conseguia efetuar um exercício de magia. Pontos surgiam em várias partes do
mapa, movimentavam-se em direções distintas e alguns na mesma linha/corredor,
outros jaziam parados. Pareciam formigas.
Estevan aproximou-se, olhou mais de perto, então percebeu... eram pessoinhas caminhando.
¾
E não é apenas isto... – alertou Samantha para Estevan que
não deixava de observar o mapa. Seguia cada pontinho até que chegasse em seu
destino final. – Ponha-o!
Samantha
entregou uma espécie de brinco ao garoto; outrora ele relutaria, mas já tinha
passado por muita coisa para se importar com isso. Estevan fixou aquilo na
orelha, sem furar apenas encaixando. A coisa ia da ponta de cima até embaixo posicionando-se
estranhamente. Aquilo era ornado de fios
de aço fino e maleável, na ponta de cima havia uma cabeça do que parecia ser um
gato, nos arredores circulavam pequenos espinhos inofensivos. De repente a
coisa se moveu na orelha de Estevan, o que parecia uma calda entornou até o
ouvido, agora parecia um fone de ouvido customizado macabramente. Estevan não
conteve o susto ao sentir a coisa mover-se, mas conteve-se para não gritar ou
arremessar a coisa no chão.
CONTINUA...



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