Orange II


PARTE II

Os corredores já estavam vazios. Silêncio. Vinne teve grande dificuldade de encontrar seu armário, e dificuldade ainda maior para achar sua sala. Ainda percorria os corredores perdido. Olhava para o papel que a mãe lhe entregou, mas não ajudava muito. Passou por diversos corredores, subiu a escadaria... Ali estava, finalmente. A última sala do corredor.
Suas mãos estavam suadas. Uma pequena janela deixava entrar um pouco de sol dentro daquela pequena saleta. Seu chefe chamara aquilo de escritório, mas parecia um cubículo do que qualquer outra coisa. Enne imaginou sua irmã Úrsula que era claustrofóbica ali, não duraria mal três segundos. No entanto Enne já permanecera trancada organizando papeis há meia hora, ser contadora não era lá a melhor profissão para uma mulher tão delicada. Aquele senhor baixinho que lhe dera esse emprego estara sempre sorrindo, contudo era preciso em seus gastos e investimentos; Enne não devia cometer erro algum, senão seria a próxima na lista do desemprego. Quando viu o senhor Fisher pela primeira vez pensara em como alguém tão desprovido de qualquer atrativo físico pudera formar uma companhia tão bem sucedida; acabou concluindo que aparência não interfere nos negócios.
Estava à frente da porta que o levaria para sua sala. Olhou temoroso pela vidraça da porta, logo uma garota sentada na primeira fileira de cadeiras o avistou. Ele recuou. O professor o notou e chamou Vinne para entrar na sala, aquele homem detinha uma confiança e simpatia admiráveis. Vinne entrou e o professor pediu para que ele se apresentasse aos colegas da turma.
¾   Olá! Meu nome é Vinícius, mas se quiserem podem me chamar de Vinne. – disse timidamente.
¾   Não obrigado. – respondeu um engraçadinho na fileira do meio.
O professor era chamado Dante. Dante fez com que os outros da turma também se apresentassem um a um em seus lugares.
Vinne sentou-se na segunda fileira e segunda cadeira, logo notou quem estava ao seu lado. A menina que sorrira antes quando ele estava na porta. Ela tentou apresentar-se melhor, mas a aula já havia começado. Deixaria para depois.
A campainha tocou. Nem dois minutos se passara para que a maioria da turma saísse descontrolada. Dante sentou-se em sua mesa suspirando, pegou alguns papeis, provavelmente exercícios dos alunos. Vinne levantou-se e partiu rumo a cantina. Não percebeu, mas a garota de antes o estava seguindo. Ele parou perto de uma mesa, viu que estava vazia e numa parte menos movimentada. Decidiu que comeria seu lanche ali, preparou tudo e sentou-se.
Um garoto gordo e desengonçado passava perto de Vinne. Assim que o viu desviou seu caminho até ele. Vinne não notou.
¾   Qual teu nome moleque? – disse o gorducho rispidamente.
Vinne não respondeu. O que fez o garoto sentar-se ao lado dele e envolve-lo com o braço esquerdo. Aquilo era realmente desconfortável...
A menina que o seguira antes estava escondida atrás de uma parede ali perto, observava tudo furiosamente.
¾   Já que não vais me dizer teu nome te chamarei de pica-pau ou preferes cabelo de fogo? – disse o impertinente ofensivamente. Queria importunar Vinne por causa de seus cabelos ruivos.
Algumas crianças observavam a cena. Uma rindo outras pesarosas. Vinne tinha o cabelo comprido até um pouco abaixo do queixo. Os fios eram intensamente ruivos, seus olhos eram verdes cintilantes. A pele branca não escondia as muitas pintas pelo corpo. As sobrancelhas pouco apareciam, assim como os cílios.
¾   Então, cabelo de fogo, repartirás desse teu lanche com teu amigo Donavan – disse o moleque. Vinne acenou que não com um gesto de cabeça. – sério! Deixa estar. Quando eu voltar dali veremos se mudastes de ideia. – finalizou o gorducho arrepiando o cabelo de Vinne e indo embora.

Vinne apressou-se e comeu o restante do seu lanche. Partiu o mais rápido que pode dali. Passando apressado pelo corredor, olhando para trás para confirmar que Donavan não o seguia acabou esbarrando na menina que o observava. Os dois caíram no chão. Ela rindo levantou-se e o ajudou a levantar.

CONTINUA...

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