Orange III


PARTE III
Na saída da escola Vinne tivera o azar de ser visto por Donavan e sua turma, ele começara a persegui-lo desde os corredores até a saída. Não importava o quão rápido Vinne andasse, eles não desistiriam tão fácil.
¾   Espera aí sarnento! – gritou algum do grupo.
¾   Não foge não ruivo safado! Diz aqui na minha cara porque não dividiu teu lanche comigo, por acaso não gostas de mim? – Donavan disse. Estava realmente procurando ofender Vinne, aquelas palavras saiam com desprezo ilógico.
Próximo ao estacionamento Vinne avistou o carro da mãe se aproximando. Correu e o alcançou. Os garotos que o seguiam pararam e recuaram. Entrou aliviado no carro, suspirou e olhou para o rosto cansado da mãe. Ela deu a partida e eles saíram do covil de cobras.
¾   Quem eram aqueles que o acompanharam até a saída, querido?
¾   Um pessoal aí...
¾   Quer dizer que já estás fazendo amizades por aqui? – disse Enne sorrindo.
¾   Claro, mãe... – respondeu Vinne sarcástico – como foi seu dia no emprego novo?
¾   Oh. Meu dia foi chato. Fiquei arrumando uma papelada e outras coisas. Ainda terei de voltar e continuar com isso daqui a pouco... – Enne falava, mas Vinne realmente não conseguia ouvi-la. Enquanto olhava para fora do carro distraia-se pensando no porquê de Donavan persegui-lo e querer ofende-lo. – estás me ouvindo filho?
¾   Hã... estou sim!
¾   Parece que estás no mundo da lua.
Enne deixou o carro estacionado na frente da casa, pois iria sair dali há alguns minutos. Marianne sua mãe estava na frente da casa esperando por ela. Estava com ela o primo de Vinne, Vicent. Um garoto de oito anos, cabelos pretos e pele intensamente pálida, por viver com a avó era um pouco acima do peso ideal. Úrsula, irmã de Enne, saíra do país há alguns anos e infelizmente não tinha como levar o filho, foi assim que acabara por ficar com a avó. Marianne era uma senhorinha baixa de cabelos totalmente brancos, mas firme nos pensamentos. Aparentava ser uma velinha frágil, mas na verdade detinha tamanha força de vontade. Já se aposentara, agora sua vida resumia a viagens com o marido e neto. Ela mesma incentivara Enne a arrumar um emprego, ajudara a filha a encontrar uma nova casa e pagou uma parte. Enne odiava a casa deixada pelo marido, assim que o processo a deixou com a casa ela tratou de vende-la.
Logo após o almoço preparado por Marianne, Enne partiu para sua jornada de trabalho. Marianne estirou-se na cadeira de balanço no quintal da casa, enquanto isso os dois moleques brincavam ou quebravam tudo dentro da casa. Vez ou outra ouvia-se a voz de Marianne gritando: desce daí menino! Não toca nisso que vai te ferir! Não obtinha grandes resultados. Depois de alguns minutos os dois se aquietaram no quarto de Vinne. Marianne tão materna preparara um lanche rico em tudo para os dois. Eles assistiam algo que passava na TV. Marianne agradecia sempre ao criador desse meio de comunicação, pois bendito era ele sendo capaz de arrebatar os levados netos e deixa-la descansar um pouco.

Vinne não gostava de ficar muito tempo parado com Vicent, conhecia os problemas que ele vinha enfrentando. Sempre que os dois ficavam quietos ou quando Vicent estava calado demais, já era de se esperar um ataque de pânico. Desde a morte do pai do garoto ele vinha sendo tratado por psicopedagogos, tomava alguns remédios fortes para depressão. Ultimamente tinha melhorado muito, contudo não era bom provocar situações. Vicent geralmente começava a chorar, depois vinha a histeria. O garoto começava a quebrar tudo que estava a seu alcance, se houvesse alguém na frente ele atirava coisas na pessoa; já ocorrera dele atirar uma panela em Vinne, por sorte era ruim de mira. Naquela tarde Vicent parecia realmente estar calmo...

CONTINUA...

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