Orange IV


PARTE IV
Marianne cochilava na poltrona da sala, nem percebera a hora passar. A rua estava taciturna. Um vento frio percorria a pista, nem pessoas nem carros com pessoas por ali. Alguns estacionados, estruturas mórbidas de metal retorcido. Com o clima daquele jeito possivelmente choveria. Alguém bateu na porta despertando Marianne do seu sono, ela abriu a porta. Era Enne que já chegara do emprego. Enne estava tão cansada que mal pode se levar até seu quarto, jogou-se no sofá e abriu uma conversa melancólica com a mãe.
¾   Esses danados estão pondo a casa a baixo. – alertou Marianne.
¾   Se quiseres podes deixar Vicent aqui hoje, mãe. – disse Enne.
¾   Sério?
¾   Sim, precisas de um descanso tanto quanto eu.
Vicent tinha problemas noturnos. Geralmente pesadelos horripilantes com uma espécie de animal a persegui-lo, então acordava gritando. Isso ocorria frequentemente até que a noite acabasse.
¾   E também quem sabe passar uma noite a sós com o papai. – disse Enne com um sorriso malicioso. O batom estava realmente borrado.
¾   Aquele resmungão não me serve de nada! – respondeu brincalhona Marianne. No fundo ela queria mesmo ficar a sós com o marido.
Ambas riram.
Enne encorajada subiu para seu quarto e tomou um longo e quente banho. Marianne passou pela cozinha e ajeitou algumas coisas para o jantar da filha e dos meninos. Pegou duas frutas e foi até o quarto de Vinne.
¾   Vicent você vai ficar esta noite aqui tudo bem? – avisou Marianne.
¾   Sim.
Então Marianne passou pelo quarto da filha. Enne ainda tomava banho. Marianne avisou que já estava indo embora do outro lado da porta. Enne falou para ela buscar Vicent no dia seguinte para leva-lo a escola. Marianne pediria ao marido para deixar umas roupas, incluindo a mochila e uniforme da escola. Isso poupava grande trabalho.
Vicent era acostumado a ficar para dormir na casa de Vinne. Desde novo sua mãe o levava para passar uns dias com Vinne e Enne também deixara Vinne algumas vezes com Úrsula. As irmãs sempre prezavam pela educação dos filhos, acreditavam que isso ajudaria na independência dos filhos.
Úrsula era uma mulher realmente encantadora. De beleza arrebatadora, por isso conseguira o contrato como modelo internacional e saíra do país. Seus longos cabelos ruivos, olhos verdes intensos, boa altura e corpo esbelto. Puxara ao pai. Não que Enne não fosse uma bela mulher, mas Úrsula fora esculpida em um molde único. Enne ainda se impressionara como Vinne parecia com a irmã. Enne era de altura normal, cabelos castanhos como a mãe e olhos verdes.

Uma leve chuva começou a cair. Marianne até que tentou correr, mas suas pernas não lhe eram tão úteis assim. A idade lhe cobrara os anos sobre a gravidade. Ela escondeu-se debaixo da coberta de um mercadinho fechado. Esperou que passasse um pouco, então dobrou a esquina e chegou a sua casa. Graças a Deus ela morar ali perto, era só seguir direto na rua e dobrar para a esquerda na avenida principal. Ela entrou em sua casa simples de cor rosa, observou algumas rosas que brotaram a pouco tempo no jardim na frente da casa. Gregory a viu abrir o portão e saiu para conversar. Ambos sentaram na varanda da casa, onde havia alguns bancos confortáveis com estofados. Marianne pediu para ele levar as roupas que logo ela arrumaria na mochila de Vicent. A chuva aumentou, ambos ficaram ali sentados de mãos dadas enquanto a natureza encarregava-se de regar o jardim.

CONTINUA...

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