Fênix Ao Resgate XVI
Capitulo XVI
Lar
doce lar
Os prédios brilhavam ao refletir em
suas vidraças o sol que nascia no horizonte, um espelhava o outro parecendo até
um mundo infinito de criaturas de pedra esculpidas em quadrados simplistas. E
aqueles mais altos, arranha-céus imponentes tentando tocar por um instante que
fosse a casa de Deus, os céus. O vento não percorria muito entre as ruas, mas
não havia muita gente para reclamar, certo? As avenidas principais e passagens
estavam todas vazias. Residências apáticas e sem vida, apenas construções
bem-feitas ou malfeitas de cores distintas ou sem cores, uma grande parte de
cor cinza cimento puro sem retoques ou requintes. Quem sabe semana que vem
pintamos, ficará tão bonita não é querido? Diria quem sabe a antiga moradora da
casa à esquerda da padaria. Os telões apagados daquela avenida que já fora
muito enfatizada em fotografias ou cartões postais, tão desejada pelos
alucinados por progresso e tecnologia. Cidade que nunca dorme. O que acontecera
com aquela cidade, e onde estavam as pessoas? Quem diria que aquele lugar fora
anos atrás New York City.
Marie
contara até então um pedaço do que sonhara durante a noite, mas parara quando
vira a reação dos irmãos. Ela os puxara para um canto antes de partirem para
batalha, estavam na frente da mansão. Samantha os deixara a sós, eles apenas se
afastaram o suficiente para não serem ouvidos, assim estavam ali ao lado do
jardim florido aperfeiçoado por Estevan. David não podia acreditar que aquilo
fora possível, os três sonharam exatamente com a mesma coisa. Claro, um lembrava um detalhe e outro esqueceu a maior
parte, mas era a mesma cidade e a mesma situação.
Marie caminhava no corredor do 24º
andar de um dos prédios mais esplêndidos de New York, ela despertara minutos
antes num quarto de luxo. Ainda não soubera como reagir, apenas saiu correndo
descendo as escadas desesperadamente, pois os elevadores estavam parados como
tudo que funcionava a energia. Ela irrompera pela recepção vazia e saíra pela
porta giratória de vidro. Fora do local encontrara apenas ruas desertas e
silenciosas, pareciam mortas num contexto exasperado. Estevan também acordara
num quarto luxuoso, mas logo concluíra que não passava de um sonho estranho e
irreal; foi até a varanda e observou dali os prédios opacos e quietos sendo
iluminados pelo sol que já surgia timidamente no horizonte a sua esquerda.
David atordoado abriu os olhos e sentira a suavidade da cama que estava, passou
levemente as mãos e descobrira logo que não era a cama que dormira no dia
anterior. O menino se levantou ainda tentando concluir alguma coisa daquilo
tudo, seguiu para fora do quarto, desceu a escada, passou pela sala, saiu do
cômodo e foi até a escadaria. Tinha uma decisão a fazer, pegar a escada para
baixo ou para cima? Ele subiu, correu rapidamente para descobrir o que havia la
em cima. David estava no parapeito na laje do edifício, observava o céu cheio
de nuvens e nada mais, nem pássaros, nem aviões, nem mesmo poluição; o silencio
era perturbador naquela que já fora tão barulhenta cidade. Marie olhou de um
lado ao outro sem saber para onde ir, de repente sentiu o sono voltando e que
não poderia controlar-se para voltar ao quarto, cairia ali mesmo. Estevan olhou
para baixo e viu Marie caída na calçada da frente do edifício, tentara ir
ajuda-la mas despencou na sala, inconsciente. David vira o irmão na sacada pela
vidraça do prédio a sua frente, não pode avistar Marie na calçada. Sem mais nem
menos ele sentiu se desequilibrar e cair de cima do prédio, nem teve tempo de
se esparramar no chão, seu corpo sumira no ar...
Eles
realmente estavam no mesmo tipo de sonho ou eles conseguiram voltar ao mundo
“real”. Ainda não sabiam direito o que acontecera, mas isso tudo apesar de
parecer não ter logica nenhuma tinha alguma importância, um traço de esperança,
esperança de voltar ao mundo deles e encontrar seus pais... Queria dizer que
aquilo não era eterno ou irreversível, eles poderiam de alguma forma, que ainda
não sabiam, fazer tudo voltar ao normal.
Partiram
para a batalha com um ar de confiança muito maior do que antes, aquela batalha
seria a primeira de muitas. Eles tinham certeza que não era tudo em vão, e
também sabiam que poderiam obter alguma informação do tal Soldado de Ferro.
Estava escrito no diário dos pais, sete reinos serão constituídos, o primeiro
pela besta de couraça negra que se convence ser indestrutível. Como seus pais poderiam saber que tudo isso
aconteceria e não os avisaram, como poderiam ter sido levados sem nem mesmo
lutar? Essas dúvidas permeavam na cabeça daquelas crianças, quero dizer, se
é que ainda posso considera-las crianças depois de tudo pelo que passaram desde
aquele dia...
CONTINUA



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