Victor I
Victor
I
Folhas
verdes cobriam as copas das árvores dentro e fora do perímetro do castelo,
alguns frutos já apareciam; não a muito tempo estavam secas no chão cobertas
pela neve, e os galhos ligados aos troncos permaneceram o inverno expostos ao
clima. O portão de aço escondeu-se abaixo do solo e o garoto saiu a tiritar com
a mochila na costa, o cachecol preto enrolado ao pescoço, afinal o clima não
estava tão agradável. Victor vestia um suéter azul escuro e a calça jeans
preta, seus tênis marrons pisavam marcando o solo recém exposto ao sol. Algumas
nuvens cobriam o céu, aquele clima estava perfeito para tomar chocolate quente
e dormir, mas teria aula.
Victor já estava atrasado para aula, todos os
outros saíram mais cedo, mas ele dormira mais. Isso não importava, nem estava
em seus planos para o dia chegar na escola. Caminhou preguiçosamente chutando
as pedras no caminho, não percebeu Mórvida a observa-lo na varanda do quarto
andar do castelo. Quando dobrou a esquina começou a correr, em instantes
atingira 130 km/s, não mais que um minuto já estava na cidade. Os painéis
holográficos jogavam ao ar suas propagandas, dizia um: "Novo Mega-Bot!",
aí a imagem de crianças realmente cativantes, mas não passavam de sucata
copiadora de emoções humanas. Victor tele transportou-se para cima do
High-zone, um dos mais altos prédios da redondeza. De lá poderia perfeitamente
observar as pessoas com a visão além do alcance, que ele nomeara "olhos de
coruja", seria melhor de águia disse Anne certa vez, mas ele sempre optara
pelas coisas que já viu, e achava incrível as corujas caçarem no escuro.
"O primeiro caso do garoto bolha" eu
diria, mas Victor ainda nem chegara a uma conclusão do seu nome de herói. Estava eufórico. Observava tudo abaixo, suas pernas inquietas
sacudiam. Ele se inclinara para melhor ver, um adulto que subisse a laje
tomaria um susto com o garoto sentado no parapeito. Àquela altura qualquer um
viraria pasta de amendoim se caísse, mas Victor não era qualquer um e não
gostava de amendoim. Quadra 3, virando à direita na Prime Street, Victor
ganhara seu dia.
Continua...
By: Wilson P. Lobo




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