Paranormal City - Episódio 16 Sangue No Carpete





16 Sangue No Carpete

 As ruas sombrias de BellsVille eram tão estranhas e esburacadas, buracos que se assemelhavam a crateras. Mas não era de se espantar, já que a cidade não tinha governantes, então não haviam políticas, ou obras públicas.

       Caminhando e desviando das crateras está Austin, de Moleton com capuz. Caminha cabisbaixo. Está tranquilo. Arrisca até uns pulinhos nas poças de água. Nem parece que alguns minutos atrás estava transando loucamente. E não, não era com Kaolin. Austin acabara de sair de um barraco abandonado, estava com uma prostituta. Sim! Haviam prostitutas em BellsVille! Eram, agora, quatro, pois, uma estava morta.
         Após terminar o “serviço” Austin fez o favor de matá-la sufocada, e porque não entalada com o pênis dele em sua boca? Ela mordia, pressionava a boca sobre o membro, mas ele não sentia dor alguma. Talvez seja pelo fato dele ter tirado os dentes dela com um alicate minutos antes. Menos uma puta na terra!
         A expressão no rosto de Austin era a mais nefasta e prazerosa possível. Seu pênis estava vermelho de sangue. A prostituta estava morta, mas mesmo assim o vai e vem não paravam. E ele continuava fodendo aquela boca morta. Agora sua expressão mudara, estava mais sereno, porém seu olhar era promíscuo. Ele observa seu feito e se  enoja.
         Ele continua caminhando. Se questionando. Quantas crianças nascem e são abandonadas por essas putas que só tem “goza” na cabeça? Sim, um ser que faz isso, além de ser puta é um monstro. Ao terminar sua linha de raciocínio, percebe uma movimentação e decide verificar. Tratava-se dos West. Estavam em frente a casa de Steve. Estavam levando Aiko para lá. O que será que aconteceu com a viuvinha? Austin se esconde na esquina e aguarda até Kaolin e Rômulo saírem. Está quase amanhecendo, Austin vê a porta se abrir e os West vão embora. Assim que os West se retiram, decide ir lá ver o que estava acontecendo. Mas uma ambulância se aproxima da casa. Steve abre a porta, os enfermeiros entram e levam Aiko em uma maca. A colocam na ambulância e saem. Pronto, Austin já pode ir lá com Steve. Ele se aproxima e bate na porta. A porta se abre. Austin vê Steve e dispara. O que houve aqui esta noite?
 
 Hospital Psiquiátrico McAlister

         Nicolas está indo para o quarto de Raissa. Ele fará mais uma avaliação. Ele entra no quarto.

¾     Bom dia. – Niko está alegre, sorridente.

¾    E o que tem de bom? – Responde Raissa ironicamente. Niko não esperava aquela resposta, ficou sem graça.

¾   Vejam só, para quem estava mal, quase que em choque, você está muito bem. Estava fingindo não é? – Niko se aproxima de Raissa e senta na beira da cama.

¾   E isso importa? – Ela o olha fixamente nos olhos. Niko a encara.

¾   Eu deveria me importar? – Niko arqueja as sobrancelhas. Fazendo com que sua cara fique mais simpática.

¾   Ninguém se importa. – Os olhos de Raissa começam a brilhar. Por um momento Niko pensara que era por causa do reflexo da luz, mas não, lágrimas estava se formando. E começaram a cair.

¾   Não. Por favor. Não chore. Hey! Está tudo bem, tudo ficará bem. Estou aqui pra te ajudar. Lembre-se que Deus pode todas as coisas. – Niko segura o rosto de Raissa. A face de Raissa dentre as mãos de Nicolas parecia uma bola. Com os polegares ele tentava enxugar as lágrimas.


¾   Se ele pode, porque me amaldiçoou e levou meu filho? – “A face de bola” questiona.

¾   Vamos conversar, promete que ficarás calma? – Niko a abraça novamente, só dessa vez bem forte. –Raissa se sente reconfortada, segura e em paz. Por quê com ele eu me sinto tranquila?

Após terminar alguns exames, Nicolas, questiona se alguém veio visitá-la. Raissa respondeu que ninguém havia aparecido. Nem mesmo Cobi, seu sobrinho. Nicolas quer saber o contato dele, para informar como anda os procedimentos do tratamento de sua tia. Raissa dá as informações. Niko promete voltar e se despede.
    Ao chegar em sua sala, ele pega o telefone e disca o número informado. Está chamando. Alguém atende.
¾   Alô.
¾   Oi. Aqui é Nicolas Mc’ Alister, o medico de Raissa Nova. O senhor Cobi se encontra?
¾   É com ele que está falando. Mas, por favor, não me chame de senhor. Risos. – Nicolas também rir após notar que a voz era bem jovem.
¾   Ok. Me desculpe, força do hábito.
¾   Como está minha tia?
¾   Está se recuperando. Mas, ela precisa do apoio da família. Você poderia vim vê-la?
¾   Claro. Quando?
¾   Amanhã mesmo. Pode ser?
¾   Sim. Qual o horário?
¾   A partir das 19:00 hrs. É o horário que estou livre para conversar com vocês dois.
¾   Ok. Tudo bem. Amanhã às 19:00 hrs, estarei aí.
¾   Se Sansa, minha secretária, não estiver na recepção, pode seguir direto para o sexto andar, ok?
¾   Certo.
¾   Vou deixar Sansa informada que você virá. Aguardo você e Raissa também. Tchau. Boa noite.
¾   Tchau… Boa… Noite. – Cobi desligou o telefone. E ficou impressionado coma preocupação de Nicolas. Certo que um medico deve dá atenção com seus pacientes, mas a atitude de Niko o deixou curioso.


No prédio mais sintuoso e caro da cidade, um carro de táxi estaciona bem na frente. Sansa sai do carro, e segue para a recepção.
¾   Chegou tarde senhorita. – diz um empregado do condomínio.
¾   Trabalho. Trabalho. E mais trabalho. – Responde sansa, balançando as mãos dispensando-o.
¾   David! – grita Sansa. O que parecia mais um berro de uma cadela dando a luz.
¾   Já disse que é Davi. Sem o “d” no final. – responde um rapaz que surge das trevas, que se formava atrás da Cortina.
¾   Finalmente. Pensei que nem viesse mais. – Sansa anda em direção ao elevador, aperta o botão. E olha para Davi.
¾   Você não vem?
¾   O que tu tá planejando em sua danada? – Davi se aproxima, e segura Sansa pela cintura.
¾   Ai. Me larga. Não sou tuas nega, pra me segurar assim.
Ambos entram no elevador. Sansa aperta o botão correspondente ao número 33L. Davi observa com atenção o detalhe do número.
¾   “L” o que seria isso?
¾   L. De Luxury. Querido. – Sansa faz um som com os lábios. Que se assemelha a um beijo no ar.

Chegam ao andar pretendido. Davi fica perplex com tanto luxo. Não consegue entender como Sansa teria conseguido aquilo tudo. Com certeza não é com o salário de secretária. Sansa abre a porta do apartamento e os dois entram. Ela joga as chaves no sofá. Pede para que Davi feche a porta e segue para a cozinha. De lá solta um grito.
¾   Quer alguma coisa pra comer!?
¾   Sim, um hamburger! – Davi se senta no sofa, que ficava de costas para a copa.
¾   Isso aí eu não tenho. Mas, posso providenciar um um bife ao sangue fresco, aceita?
¾   Cruzes!! Sei lá, acho que sim. To com fome mesmo. – Ele liga a televisão gigantesca e se diverte com um desenho que está passando, e não nota Sansa se aproximar.
¾   Poxa. – lamenta Sansa. Mais próxima de Davi.
¾   O que foi? – Pergunta Davi, ainda de olho no desenho.
¾   Só tá faltando o sangue fresco.
¾   Tá faltando o qu… - Davi é interrompido, pois uma faca entrou em sua garganta.

Sansa atrás dele, segura uma vasilha aparando o sangue que jorrava. Davi começa a se debater, mas a vasilha já está cheia. Davi estava tão vislumbrado com o luxo que nem percebeu que o sofá estava com plástico. E no chão havia um enorme tapete de plástico. Graças a Deus não sujei nada. Sangue imundo no carpete? Jamais!

Continua...

By: Samuel S. Lobo

Comentários

Postagens mais visitadas