Heart Attack Episódio XVIII Demônio



Episódio xviii DEMÔNIO

         ANDREW CONTINUAVA EM COMA. Vários médicos e cientista foram convocados para tentar solucionar o mistério macabro por trás da “criança demônio”. Estavam o chamando assim. Andrew foi transferido para a última sala nos altos do Hospital Vida Segura, logo após o incidente. Doutor Heitor exigiu que ninguém se aproximasse dele. Ninguém poderia vê-lo. Houve várias restrições.
         Tentaram acabar com o sofrimento de Andrew. Mas, tudo o que faziam era em vão. Andrew não morria. Foi então que Doutora Karina, perturbada com tudo aquilo, não se conteve. Ela não deveria ter tentado. Talvez se ela tivesse desistido dele, ainda estaria viva, mas não, sua consciência pesava. De alguma forma, se sentiu culpada. Eu não deveria ter feito aquela oração.
         No final do plantão, Karina, decide acabar de uma vez por todas com o sofrimento de Andrew. Suas mãos tremiam. A cada passo dado a caminho do quarto do garoto seu coração saltava. Estava preso na garganta. Engolia a seco. Estava angustiada. Não posso fazer isso.
         Ela para em frente a porta do quarto. Quase ninguém ia ao último andar. Somente os zeladores. Mas era noite, não havia expediente para eles. Ela segura firme a maçaneta. Solta. Não farei isso. Ele não merece. Vou embora. A porta se abre. Karina se espanta. Ela contempla aquela criança decrépita na cama. As lágrimas rolam. Ela entra. Desculpa garoto. Não pude te salvar.
         Quinze anos. Quinze anos. Quinze anos.
         Passaram- se quinze anos e ele ainda estava naquele estado. Karina se aproxima de Andrew, mas por algum motivo não o alcança. Estava paralisada.
Senhor, meu Deus, em primeiro lugar te agradeço pelos meus pecados, lava a mina alma com teu sangue derramado, receba os pensamentos que não te agradam e faz de mim um vaso em tuas mãos. Senhor, sou tão pequena perto de tua grandeza, meu Pai, sou um nada insignificante, diante de ti, ó Senhor! Mas te peço tenha misericórdia desta criança, eu não a conheço e nem sei o motivo dela estar aqui, mas Senhor, mata, aprisiona, derrama teu sangue sobre a vida deste pequenino. É o que te peço e te agradeço. Amém.
         Karina ouve estas palavras nitidamente em sua mente. Era sua oração, a qual tinha feito em prol de Andrew. Porque estou ouvindo isso? Karina não estava entendendo. As palavras novamente vinham em sua mente.
         Senhor, meu Deus, em primeiro lugar te agradeço pelos meus pecados, lava a minha alma com teu sangue apodrecido, receba os pensamentos que não te agradam e faz de mim um vaso em tuas mãos. Senhor, sou tão pequena perto de tua grandeza, meu Pai, sou um nada insignificante, diante de ti, ó Senhor! Mas te peço tenha misericórdia desta criança, eu não a conheço e nem sei o motivo dela estar aqui, mas Senhor, mata, aprisiona, derrama teu sangue sobre a vida deste pequenino. É o que te peço e te agradeço. Amém.
Desta vez, algumas palavras e frases são ditas com ênfase. Não, não é minha oração.
Karina arregala os olhos. Perplexa. Com o que acabara de ouvir. E fita Andrew imóvel. Após isso, consegue se mexer. Ela se aproxima, decidida a acabar com a vida de Andrew. Ela desliga os aparelhos. Pega o travesseiro e pressiona contra a face de Andrew. Karina está em cima de Andrew sufocando-o. Ela deveria ter ido embora. Karina sente um aperto no peito. Ela leva a mão ao peito. Larga o travesseiro. E cai no chão. Seu coração está acelerado, há veias pulsantes em seu pulso. E no pescoço. Não consegue respirar. Ela tentar puxar o ar, porém não consegue. Não há ar! Seu rosto está ficando roxo. Ela sente uma pressão por sobre o seu corpo. Um peso. Alguns segundos depois, a pressão some. A dor no peito acaba. O ar volta.
Karina levanta. Sua expressão é de medo e revolta. Você é mesmo o que dizem! Uma criança demônio! Por isso ainda não morreu. Mas de hoje não passa! Ela pega um desfibrilador e liga na tomada. Quero ver tu escapar dessa, demônio! Posiciona o equipamento nas têmporas de Andrew e pressiona. Talvez se não tivesse feito isso estaria viva.

O efeito do choque se voltou para Karina, que ficou estirada no chão, com marcas de queimadura nas têmporas. ANDREW CONTINUAVA EM COMA.

Continua...

By: Samuel S. Lobo

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