Paranormal City 15º Episódio Quarto 602
15 Quarto 602
No dia seguinte à entrada de Raissa no Hospital, Cobi, foi visita-la. Se apresentou a azeda secretária, Sansa. E
fez um cumprimento rápido e ágil com a mão direita. Cobi passou por Sansa e
seguiu em frente, adentrando o corredor. Até que Sansa o chama.
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Cobi!
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Sim. – Cobi respondeu ainda de costas. Andando.
¾
Você sabe onde é o quarto? – Cobi parou. Virou. Com uma cara cínica e
sem graça. Rindo. – Não, não sei.
¾
Pois é. É no sexto andar. Sala 602. Neste
mesmo andar encontrava-se a sala de Nicolas.
¾
Certo. Obrigado. – Cobi se vira novamente e segue andando pelo corredor,
até o elevador.
Ao chegar no sexto andar, Cobi, depara-se com mais um
corredor imenso. Haviam várias salas, tudo era branco, apenas os detalhes das
portas desclassificavam o alvo do ambiente. Além dos vidros de observação, que,
por mais que sejam necessários, é desconfortável andar pelo corredor e fazer um
“tour expresso” pela insanidade do ser humano, com direito a imagens exclusivas
deles em estado mental deplorável.
É medonho imaginar que dentro de cada quarto daquele,
havia um ser deturpado, esquecido, louco, sozinho, desvairado. Era tenso
observá-los. Por mais que a tecnologia dos “olhos de vidro” permitisse a
visualização dos pacientes, sendo que os mesmos não poderiam enxergar quem os
observa. Tráz uma série de pensamentos, e um destes passava na cabeça de Cobi,
enquanto ele caminhava pela corredor da insanidade. Como podemos nos colocar no lugar de Deus? Pois Ele tudo vê, e através
de fatores influencia em nossas vidas. Mas, porque a psiquiatria ou a ciência
também observa e através de fatores tenta influenciar o indivíduo?
Cobi respira fundo e segue. O ambiente era mórbido. O
local cheirava a desinfetante barato. Ele estava apreensivo. Os quartos que
havia passado estavam com as luzes apagadas. É bem melhor assim. Cobi não queria ver pessoas loucas. Estava ali
para ver a tia, que estava internada, por estar traumatizada. A perda foi um
choque. Era o primeiro filho de Raissa.
Quarto 613.
O que Cobi procurava era o 602. Estava mais para lá.
612. 613. 611. 610. 609.......608.
A luz do 608 estava acesa. O corredor seguia mais para lá. Cobi podia ver o 602, mas para chegar até ele, teria
que passar pelo 608. Alguém esqueceu a
lâmpada ligada. É isso. Quem estiver lá dentro, está dormindo. Cobi fecha
os olhos e decide passar correndo. Porém, seus olhos foram mais curiosos que
ele. Se abriram diante da janela de dois metros de vidro. Há um homem careca
olhando-o através do vidro. Cobi se assusta, grita e fecha os olhos. O homem
segue para a cama e senta de costas para o vidro.
Cobi abre os olhos. Está ofegante, mas percebe que a cena foi ridícula.
Ele ri. E observa o homem sentado de costas para ele. O homem sacudia as mãos
freneticamente. O que ele está fazendo? Cobi
fica curioso. Não conseguia ver do que se tratava. Ele se aproxima do vidro. O
homem para o movimento. Ergue a cabeça e vira devagar, sem olhar para o vidro,
como se estivesse apenas escutando. Alguns segundos se passam. Cobi não
agüentava mais segurar a respiração. O homem inicia novamente os movimentos com
a mão. Para a surpresa de Cobi. O homem se mexe. E se deita. Revelando o que
estava fazendo. Imediatamente, Cobi, vira o rosto. E segue. A cena daquele
homem se masturbando freneticamente até deixar seu órgão genital naquele estado
deplorável, não saía da mente de Cobi. Ao se aproximar do quarto de Raissa,
sente um cheiro de lavanda, mas não é qualquer uma, é de bebê.
602. A mão dele envolve a maçaneta e abre a porta. Uma
jovem loira, visivelmente pálida, desesperada o recebe, e o abraça. Vieram me salvar! Cobi está sem ação,
ele olha para a placa do quarto, mas não está errado, é o quarto 602.
Continua...
By: Samuel S. Lobo



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