Heart Attack Episódio XIV Sem Alma
Episódio xiv SEM ALMa
Daniel,
já havia tentado tirar a própria vida há uns meses atrás, estava tão triste
pelo falecimento de seu gato, “netuno”, que já não havia sentido para viver,
afinal “netuno” era seu único amigo e “parente”. Daniel é órfão, saiu do
orfanato aos dezoito anos, quando iniciou a faculdade de medicina, nunca quis
ter uma mulher, ou filhos, não conhecia o significado de família. Karina entra
no quarto que está Andrew.
¾
Oi, tudo bem? – Ela fecha a porta. E o
silencio é a resposta.
¾
Andrew está me ouvindo? – Ela se aproxima
da cama.
Andrew parecia estar
dormido. Parecia. Karina segura a mão
de Andrew. Gelada. Passa a mão sobre a testa. Suada. Põe a mão no rosto do
pequeno. Pele fria e pegajosa. A Drª nota que a cor da pele está demais pálida,
Andrew está gélido, e suas pupilas estão dilatadas, mas há respiração, fraca,
mas há respiração. Karina não quer acreditar. Não Senhor! Não faça isso com essa criança, não faça isso comigo. Pensava
em voz alta. Após verificar todas as circunstâncias em que Andrew se
encontrava, chama uma das enfermeiras da seção e pede para que avise o rapaz
que o trouxe que queria falar com ele. Leonard segue para a sala da Drª Karina
e bate na porta.
¾
Posso entrar? – Leonard estava aflito
parecia o pai ou um parente de Andrew.
¾
Deve! Sr. Leonard. Sente-se preciso
conversar com você.
¾
É sobre o garotão? – Leonard não escondia
a preocupação.
¾
Sim. Já estou sabendo que você o trouxe
pra cá, e que está, tecnicamente, responsável, por ele.
¾
Sim. É verdade, Andrew está sob minha
proteção, ele e o irmão estão sob a custódia da polícia, até que o caso seja
resolvido, e descubra-se o que ocorreu na casa.
¾
Imagino. A cidade não fala de outra coisa.
– Karina estava calma. Neste momento tão delicado o profissionalismo falava
mais alto dentro dela.
¾
Bom, o que tenho pra dizer, não é a melhor
notícia, Leonar...
¾
Diga doutora, o que Andrew tem? Ele vai
ficar bem? É grave?
¾
Nós fizemos todos os tipos de exames
possíveis para identificar qual era a doença, ou melhor o que poderia ser
encontrado, e é aí que se encontra o problema. – Leonard franzi a testa e
arregala os olhos.
¾
Quer dizer que não encontraram nada? – Espanta-se
Leonard.
¾
Ao contrário.
¾
Como assim?
¾
Encontramos, tudo. – A cabeça de Leonard
estava um redemoinho de dúvidas.
¾
Tudo?
¾
Exatamente. Nos exames de sangue foram
identificados anemia, e em decorrência dito uma leucemia. Já nos exames de raio
x foram identificados nódulos em vários órgãos, e estão todos, praticamente,
comprometidos. E nos demais resultados surgiram, hemorragia, um tumor cerebral
em estado terminal. O nível de colesterol está altíssimo, e a taxa de glicemia
está nas alturas! Agora Leonard eu te pergunto, eu ME pergunto, como isso é
possível?
Leonard a olhava
fixamente, com os olhos arregalados, perplexo com o que acabara de ouvir. Essa médica só pode estar brincando, como
uma criança pode ter tudo isso e ainda estar viva? Pensava. Karina deu uma
breve pausa, retirou os óculos e enxugou as lágrimas que escorriam e com os
olhos cheios de lágrima disparou.
¾
E sabe o que aconteceu, quando fui vê-lo
Leonard? – Disse com a voz tremula, como quem está se segurando para não
desabar em choro.
¾
O que? Não me diga que... – Leonard se
levantou da cadeira, ainda mais tenso e nervoso.
¾
Não, filho, pior do que a morte. Andrew
entrou em coma. Agora não sabemos se um dia irá acordar, o que acho difícil, já
que seus dias estão contados. – Era o que eles pensavam...
Leonard se aproxima da
médica, e os dois em pé, se abraçam, Karina o apertava, como se ambos fossem os
pais de Andrew.
Continua...
By: Samuel S. Lobo
Continua...
By: Samuel S. Lobo



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