Heart Attack Episódio XV Possessão Pisicológica
Episódio
xv Possessão PSICOLÓGICA
Na ala 562. Décimo sétimo
andar do prédio do Hospital Vida Segura. A enfermeira Marta seguia para cuidar
da sua paciente “preferida”, a fulana... Que na verdade, para ela já não era
uma desconhecida, ainda queria descobrir o porquê do prontuário está sempre
vazio. Nenhum nome, nenhuma medicação. Ao entrar no quarto, dá de cara com a paciente
rasgando folhas da ficha de prontuário, e a paciente ao vê-la, coloca na boca
os papéis e os engole.
Marta não estava acreditando no que estava vendo, por
isso que nunca havia informação... Me tirem daqui! Gritava a mulher.
¾
Calma, Violet.... Esse é o seu nome, não
é?
¾
Como tu sabe vadia?
¾
Não há nada que não descobrimos aqui nesse
hospital. Bom, vejo que comeu sua receita. Então, não poderei medicá-la, até
que novamente o médico prescreva algo.
¾
Hey, minha filha, eu não preciso de
remédios! O que eu preciso tu não podes me dar... Se bem que, ultimamente, tenho provado de tudo
um pouco.
¾
Me poupe dos detalhes de tua vida
promíscua menina, e não me aborreça, se não serei capaz de agredi-la novamente.
¾
Vem cá, como ainda tá por aqui? Agredir
paciente dá cadeia não é?
¾
Não é da sua conta. Vejo que está calma.
Tá até conversando. – Violet se deita e se cobre.
¾
To entediada. Quando vou receber alta?
¾
Quando estiver realmente boa e saudável.
¾
Ah querida, então nunca! Aqueles vermes
acabarão comigo, destruíram meu corpo, meu rosto está deformado. Ai Jesus, será
que voltarei a ser linda?
¾
Teve o que mereceu... Enfim, vou sair, fique aí assistindo Tv, vou
falar com o Dr. Heitor. – Ao ouvir esse nome, Violet fica alerta. Como se
aquele nome fosse familiar...
Marta retorna ao quarto
de Violet, e nota que ela não está na cama. A enfermeira, então, procura no
banheiro. Nada. Ao retornar ao quarto ouve uma risadinha. De onde estaria vindo? Pensava. Ela olha para baixo, e enxergar um
par de pé sujo debaixo da cama. Ela os puxa.
¾
Senhorita? O que estava fazendo aí
embaixo?
¾
Ele quer me deixar aqui dentro. Eu não
quero ficar aqui. Diga a ele!
¾
Do que está falando?
¾
ELE! Ele quer me deixar aqui trancada, só
porque eu não sirvo mais para nada.
¾
Violet... O Dr. Jamais faria isso com
você. Você só está se recuperando dos hematomas e de algumas feridas.
¾
Dr.?? – Violet está com os olhos
arregalados. Balança a cabeça com frequência.
¾
Sim. O Dr. Heitor. – Marta a segura pelos
braços e a conduz a cama.
¾
Não, não estou falando dele. Estou falando
de quem fez isso... – Violet inclina a cabeça para frente e mostra o coágulo de
sangue formado na parte de trás de sua cabeça. Ao colocar o dedo, aquela bola
de sangue estoura, fazendo com que o cabelo loiro de Vi se torne,
ridiculamente, um ruivo cor de sangue.
¾
Meu Deus! Como isso apareceu, menina? Não
tinha isso há um tempo atrás...
¾
Foi ele! Aquele merda! Ele me paga! Eu
disse que na hora da minha morte eu não queria sofrer. Era só isso... Ele
prometeu!
¾
Ele quem? De quem está falando?
¾
Do diabo! – Violet dá um berro, o que
assusta marta, e a deixa assustada, com olhos saltando.
¾
Sangue de Jesus!
¾
Não, o meu sangue, veja... – Violet mostra
a sua mão coberta de sangue.
¾
Vou pegar os curativos e água para limpar
isso. Marta foi pegar as coisas para tratar do coágulo. Violet continua
resmungando e se lamuriando.
Noite
do incidente. Internação de Violet e Joe.
Eduardo chega ao Hospital
Vida Segura. Pede para que um enfermeiro atenda a senhorita que está desmaiada
no banco de trás. Mais um enfermeiro aparece e colocam Violet em uma maca e a
levam para a sala de emergência. Enquanto isso, Eduardo, leva Joe à recepção e
pergunta à recepcionista.
¾
Senhorita, por favor, o Dr. Heitor por
gentileza...
¾
Um momento policial. A recepcionista disca
alguns números no telefone e conversa com o Dr. Ela desliga o telefone e
informa.
¾
O Doutor está esperando vocês, por aqui...
– Ela aponta, com gentileza, o caminho que devem percorrer até chegar a sala do
Psiquiatra.
¾
Muito obrigado, senhorita...
¾
Bárbora... Mas, pode me chamar de Barbie. Risos. – Barbie era uma mulher
encantadora, cabelos negros, olhos verdes, pele branca, quase pálida. De fato,
parecia uma boneca, de porcelana.
¾
Ok. Barbie.... Foi um prazer. – Eduardo
ergueu dois dedos a testa e os acenou para frente, era um gesto espontâneo,
meigo e sincero, mal ele sabia que iria mexer com os sentimentos de Bárbora...
¾
Ele é o garoto? – Grita a recepcionista a
Eduardo, que já estava no fim do corredor...
¾
É! – Responde ele, também confirmando com
o polegar.
Eduardo
dobrou no final do corredor à direita. Ele
conhecia o caminho. Com as mãos depositadas sobre os ombros de Joe, ele o
direcionava. Joe estava de cabeça baixa, triste. No final deste outro corredor
havia um elevador. Ao lado esquerdo, na parede, tinha um espelho. Eduardo se
olha e ajeita o topete em seu cabelo castanho. Ele olha, admira-se, e nota que
está com os olhos vermelhos. Ele olha para o relógio em seu pulso. 4:15. Por isso! Estou morrendo de sono. Pensava.
Joe está ao seu lado, calado, quieto. Ele fecha os olhos e esfrega com os
dedos, para tentar acordar. O corredor está vazio, há feixes de luz, mas o
ambiente é de penumbra. Eduardo abre os olhos e dá de cara com um homem ao seu
lado, observando-o. Eduardo se vira, olha, procura o homem e nada. Só vê Joe ao
seu lado cabisbaixo.
Ele
olha novamente para o espelho e arregala os olhos. Deve ser o sono. É o sono. Preciso dormir. Pensa. Eduardo olha para
Joe e pergunta.
¾ Você
viu? – A voz de Ed estava tremula. E Joe ainda de cabeça baixa diz:
¾ Vi...
¾ O
que tu viste menino? – Ed estava ficando nervoso.
¾ Não
sei, uma sombra talvez. Mas, acho que era meu pai...
¾ Como
assim, garoto? – Ed nunca gostou dessas coisas de fantasmas, almas, gente morta
vindo do além e etc.
¾ Meu
pai disse que sempre estaria comigo, não importava o lugar.
¾ Ok.
– Ed estava, de fato, assustado. A essa altura, pelo que o menino acabara de
falar, já não tinha dúvidas de que ele tinha um problema.
Os dois entram no
elevador. Ed aperta o botão de número 12, correspondente ao andar, das alas de
psiquiatria. Ao chegar no andar, Eduardo segue para a sala ao final deste novo
corredor, este no qual seria a rotina de Joe, até ficar completamente curado.
Se é que estava doente...
¾ Doutor
Heitor? Disse Ed entrando na sala.
¾ Olá
Ed, vejo que não estás sozinho...
¾ Pois
é. Acho que já está sabendo do caso...
¾ Sim.
Carl me ligou afoito, acho que estava em meio a uma confusão, não sei ao certo.
¾ Sim.
A “confusão”... – Ed olhou de canto e apontou com o nariz fino para Joe,
insinuando para que Heitor não relatasse mais, o que havia ocorrido.
¾ Ok.
Entendi.
¾ Vejamos.
Qual seu nome meu jovem? – Heitor inclina a cabeça para baixo.
¾ Joe.
– responde o garoto erguendo a cabeça e olhando para Heitor.
¾ Joe...
Nome bonito. O que o traz aqui, Joe?
¾ Ele
que me trouxe. – Joe aponta para Eduardo.
¾ Não
Joe, qual o motivo de você estar aqui, você sabe?
¾ Acho
que não. Queria estar em casa, com papai, mamãe, Andrew e...
¾ E?
– Heitor franzi a testa.
¾ Elizabeth.
– Joe sussurra.
¾ Sua
irmã?
¾ Sim.
¾ Ok.
– Heitor passa a mão na cabeça de Joe e faz um cafuné. Muito bem. Daremos um
quarto para ele ficar aqui no Hospital, você pode acompanha-lo, ou ir para
casa, você que sabe Eduardo. Faremos o que for possível.
¾ Tudo
bem, Doutor. Prefiro ir pra casa, descansar um pouco. Sei que Joe está em boas
mãos. Logo mais estarei por aqui. Afinal, Joe e Andrew estão sob nossa
custódia. Pelo menos por enquanto...
Dois
dias depois...
Heitor
está em sua sala, e ao olhar pela janela, percebe uma movimentação.
¾ Quero
ver o tal Heitor! – Alguém grita. Heitor nota que é voz de mulher. Quem estaria gritando daquele jeito?
Curioso
com a situação, resolver ir até o vexame. Ao sair da sala, é impedido pelos
enfermeiros de prosseguir.
¾ Doutor,
não vá!
¾ Não
vai Doutor!
É
o que diziam. Mas porque não poderia ver o que estava acontecendo? Ou porque
não poderia ir até lá conferir e se possível tentar ajudar? Heitor dispara.
¾ Quem
está me chamando? – O som da voz de Heitor se perdia em meio aquela confusão.
Várias enfermeiras, enfermeiros, médicos, pacientes e até o zelador, estavam
formando uma espécie de barreira, para impedir que alguém ultrapassasse.
¾ Quem
está me chamando? – Grita mais alto desta vez. Houve um silêncio no local.
Todos
olharam para o médico. Espantados. A maioria larga a mão um do outro
(desfazendo a “barreira humana”). Uma brecha em meio aquele povo bastou.
Centímetros que separavam Marta de Daniel foi o bastante para Violet surgir violentamente
e partir para cima de Heitor. Arranhões. Mordidas. Tapas. Socos. Puxões de
cabelo. Violet estava atracada ao corpo de Heitor, como um animal.
Os
enfermeiros que ali estavam, prontamente, tentaram tirá-la de cima de Heitor,
mas Violet parecia possuída. Se era que
não estava. Heitor conseguiu jogá-la
no chão e ela tentou se levantar, e ele de pé, não hesitou. Deu uma tapa bem
forte no rosto de Violet, a mesma estava no chão, desmaiada. Novamente.
Continua...
By: Samuel S. Lobo



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