Paranormal City 14º Episódio - Déjà Vú





 14 Déjà vú
    
          As familias que ainda moravam em BellsVille, tinham um laço ou uma razão que as prendiam ali, afinal a cidade não possuía governador ou regente, alguém que administre, se tratara de quase uma cidade fantasma, tão estranha e sinistra. Todos os que ali habitavam penduravam sinos na varanda de sua casa, em resposta há quase um culto. No centro da cidade havia uma torre gigantesca na qual na ponta existia um sino enorme, cor de ouro, simplesmente magnífico, este artefato deu origem ao nome da cidade, porém a história deste sino, ou melhor, quem os confeccionava é um segredo ou apenas ninguém sabe a real história, devido a isso não ousam falar.
A desertificação da cidade era tão bizarra que se assemelhava aquela cidade francesa, cujo recebeu o título de “cidade fantasma”, Oradour – Sur –Glane na França, nesta cidade não há moradores, devido a um massacre. A história nos revela que em 10 de Junho de 1944, um ataque da Terceira Companhia do Primeiro Batalhão de Regime Der Fuhrer invadiu a cidade e atacou cruelmente a população indefesa. Ao todo foram 642 assassinatos, (190 homens, 245 mulheres e 207 crianças). Poucos escaparam. Os homens da cidade foram torturados em um celeiro, para os mesmos sofrerem bastante antes de morrerem, enquanto mulheres e crianças foram queimadas dentro da igreja da cidade.

De fato, BellsVille era bem estranha, admirava-se aquelas pessoas ainda continuarem ali, apenas vivendo, porque trabalho quase não havia, o único hospital da cidade que existia era o do médico Steve, isso porque pertencia a seu avô, e como se tornou médico, e não conseguiu vender para comprar algo em Whichita decidiu ficar em BellsVille e servir a população carente que ali viviam.
Junto à torre do sino, havia uma praça, na verdade a torre era no centro da praça, sendo que esta era somente de enfeite, afinal ninguém passeava por lá, a vila dos sinos, começa a partir desta praça, num ângulo de 360º, um círculo, e ao redor se encontrava a mais pura mata fechada, alguns se arriscavam a chamar de bosque.
           
         

A torre do sino era um mistério para os moradores. Pontualmente ao meio dia e a meia noite, o sino era tocado. Porém, ninguém sabe quem o toca. Ou se foi projetado para tocar automaticamente. Nenhum morador ousava ir até a torre, entrar, subir e verificar como o sino funcionava. Além do interesse ser pouco. Há moradores como Kaolin West, que acreditam que lá existe uma criatura sobrenatural, ou uma alma penada, cujo castigo é badalar o sino. Claro, isso não passavam de histórias para assustar as crianças. Ou melhor, para manter as crianças longe da praça do sino. Desde a morte misteriosa do garoto Kyle, o gordo. O Doutor Steve não conseguiu diagnosticar precisamente o que houve.
Kyle, o gordo, quando foi trazido para o Centro Médico de BellsVille, estava completamente alterado. Estava mais morto do que vivo. Sangue escorria por toda parte. Uma das velhas que fofocavam da empregada, era a mãe de Kyle. Havillah Cora. A única madame da cidade. Era dona do único supermercado da cidade. Era viúva, apesar da pouca idade. Kyle seu único filho tinha seis anos. Ela tem apenas vinte e sete. Engravidou aos vinte um, mas não era filho de seu falecido marido, e sim, do pai de Havillah, ele a estuprava desde a infância até a adolescência, foi quando conheceu seu marido e fugiu de casa. Quando soube que estava grávida, tentou abortar. Mas, o marido a impediu. Decidiu assumir a criança e prometeu cuidar de ambos. Porém, Havillah odiava aquela criança.
Jamais se importou com a saúde. Ou se o menino estava sendo bem-educado. A criatura começou a se tornar um menino obeso. Mimado. Sem escrúpulos. Ficou incontrolável, após a morte do pai. Havillah sempre o deixava com as babás, qualquer coisa era motivo para sair de casa e deixa-lo. Quando Kyle tinha quatro anos de idade, Havillah tentou matá-lo enforcado, mas o marido a impediu. Mas ela nunca desistiu.
O sorriso na cara de Havillah no Hospital era descarado. Bendita hora em que resolvi sair de casa para passear com Kyle. Certamente era a vontade de Deus, para acabar com meu sofrimento. Havillah está de olhos fechados, movendo os lábios, provavelmente agradecendo pelo filho finalmente estar morto. A maca trazendo o corpo de Kyle passa na frente dela ela abre os olhos e as lágrimas rolam.
¾   Meu filho! – esperneia, gritando em voz alta.
¾   Senhora, por favor, controle-se. – Steve a envolve com os braços, segurando-a.
¾   Me solte. Meu filho. Está morto. Morto! – Havillah não sabe se chora ou contempla o fato.
¾   Acalma-se, não podemos fazer nada para salvá-lo. – Steve apazigua.
¾   E nem quero que faça! – debocha, com um sorriso no rosto.
¾   Como? – Steve está perplexo com aquela reação. Como médico, ele sabe que numa situação dessas as reações podem ser as mais diversas, mas aquela era inesperada.
¾   Odiava esse moleque. A maldição da minha vida. Obrigado Senhor! – Havilla fecha os olhos e se ajoelha.
Steve não sabe o que fazer. Ele apenas fita a cena da mulher ajoelhada, com as mãos estendidas para o céu agradecendo a morte do próprio filho. Deus finalmente teve misericórdia de mim. Acabou com meu martírio. Espero que este ser queime no inferno junto ao demônio que o fez! Steve está sem palavras. Perplexo.

Continua...

By: Samuel S. Lobo

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