Paranormal City 7º Episódio - O Convidado Ausente
7 O Convidado Ausente
Ao acordar de manhã cedo, lavar o rosto, escovar os
dentes, e se olhar no espelho e verificar que ainda está bela, Kaolin, uma encantadora
dama e dona de casa, se preparava para mais um dia de trabalho, era dona de um
restaurante. Depois de praticar seu “ritual da beleza”, que consiste em se
olhar diversas vezes no espelho e dizer para si mesma que é linda, maravilhosa,
gostosa, meiga, gentil etc. Vem-lhe a cabeça uma dúvida.
¾
Faço ou não faço?
– indaga a mulher sozinha em seu quarto.
¾
O quê? – pergunta
Eduardo que estava passando pelo corredor e escutou a mãe falando sozinha.
¾
Uma festa! Uma
grande e maravilhosa festa!
¾
Uma? Sério? –
resmunga o rapaz, um pouco irônico.
¾
Sim! Algum
problema querido? – pergunta Kaolin já desconfiada de que o filho não gostou da
proposta.
¾
Mãe me escuta, eu
não quero uma festa, nem convidados, ninguém de fora, só a gente, certo? Algo
simples, mãe!
¾
Ai Ed, quanta
cafonice... – Kaolin era viciada em festas, bebidas e tudo que fosse para o
“entretenimento”.
¾
É o meu
aniversário e eu faço do jeito que eu quiser! – retruca o quase “adulto”, pois
completaria dezoito anos naquele dia.
¾
Está bem, faça do
jeito que quiser, mas qualquer coisa, quem sabe uma mudança de ideia, enfim,
venha falar comigo. Ok?
¾
Ok! Mãe. –
Eduardo se despede com um beijo na testa de sua mãe, e a informa que sairá com
uns amigos e que chegará à tarde para comemorar com a família, somente a família.
Às onzes horas da manhã, Kaolin, vai para o seu
restaurante, ao chegar no local depara-se com uma papel cravado na porta da
entrada principal, era um ordem de despejo: “Seu restaurante não corresponde as
nossas normas de mercado, seus lucros são insuficientes para que continue com a
hipoteca deste estabelecimento, então estamos despejando-a, para que de tal
forma ambos possam ser beneficiados.”
¾
Como assim “ambos
beneficiados”? Morram vermes! Eu hein, eu é que não vou sair daqui, mas não
saio mesmo!
Ela abre o estabelecimento, aquilo parecia mais uma
espelunca, era todo empoeirado, mesas velhas e antiquadas, nas paredes havia
cortinas vermelhas, ao fundo havia um pequeno palco, aquilo não era apenas um
restaurante, ou jamais fora um restaurante, aquilo já fora um bordel, por isso
as características tão vibrantes. “Meu restaurante maravilhoso!” – neste
momento Kaolin começa a espirrar consecutivamente...
Kaolin caminha em direção à cozinha, lá até que era
mais limpo, uma vez que os agentes de saúde a obrigaram a cuidar pelo menos da
cozinha, que é a parte primordial de um restaurante. Ela pega alguns
ingredientes e resolve fazer um maravilhoso ensopado para festejar o
aniversário de seu filho Eduardo que completará dezoito anos, o curioso é o modo
que ela prepara o ensopado...
Kaolin não tem o menor talento para cozinhar,
ironicamente é dona de um restaurante no qual ela mesma prepara as iguarias,
ela deixa uma panela no fogo, já com alguns legumes e um pouco de água. Enquanto
a panela estava fervendo, Kaolin estava no banheiro enxaguando suas partes
íntimas e a água que descia por entre as suas pernas era depositada em uma
vasilha cuja estava no chão propositadamente para apanhar aquela água imunda. Ao
perceber que o recipiente havia enchido, enxuga-se, pega a vasilha e a leva até
a cozinha e num gesto sorrateiro, até natural de sua parte, deposita na panela
do ensopado, e com um sorriso de canto conclui, “Eles vão adorar meu ensopado...”
O salão estava todo preparado, uma poeira aqui outra
acolá... “Mas isso não impediria a festa”, pensava Kaolin. Ajeitava as
cadeiras, mesas e poltronas, estas que restaram do tempo em que aquele local
era um Cabaré! A noite chegou e o ensopado quase queimou... As 19h30min, tudo
estava pronto, Kaolin se apressa e corre em sua casa para avisar a todos que já
poderiam ir para lá e se arrumar para a grande festa. Chegou, e foi logo
gritando com Rômulo, seu marido.
¾
Vamos! Tudo está
pronto! Ainda não se arrumaram? – Olhou para Yerik, seu filho adotado, que já
estara pronto e todo arrumadinho, e disse:
¾
Meu filinho, o
único que me ouvi...
¾
Verdade, mãe? –
questionou o garotinho de apenas nove anos.
¾
Mas é claro! Seu
não me engano és o único que me dá atenção aqui... – resmungou fitando Eduardo
que estava no sofá ainda com roupas imundas(tinha ido jogar bola com uns
amigos...)
¾
Garoto queira me
dizer o que ainda está fazendo desse jeito? – referindo-se ao estado deplorável
do aniversariante.
¾
Ah, mãe ainda são
19h40min, vai dá tempo, a senhora não convidou pessoas convidou? – Não queria
ninguém além da família nessa festa.
¾
Não! Não! Convidei vários animais para
prestigiá-lo, vamos ver... Convidei a porca da vizinha, a vaca da sua tia, e a
galinha da sua prima, tudo bem? – Kaolin sempre fora irônica.
¾
Credo mãe
precisava disso? – Eduardo sempre se indignava com o modo que sua mãe o
tratara.
¾
Precisava, sim! E
vamos logo se arruma, por favor, o pessoal vai começar a chegar umas 20h15min.
¾
Tudo bem, mas eu
vou da maneira que eu quiser, digo, posso vestir o que eu quiser, não posso? –
Ed nunca pode escolher suas roupas, sempre era Kaolin que as escolhia...
¾
Claro! Você já um
homem, já tem dezoito anos... – Rômulo tinha ido se arrumar e ao voltar para
pegar algo que esquecera na sala, se deparou com Kaolin dizendo estas palavras
a Eduardo. Não se conteve e se explodiu em gargalhadas.
¾
O que foi? –
disse Ed confuso.
¾
Vá logo se
arrumar HOMEM... – respondeu Rômulo super sarcástico...
¾
Hahaha – retrucou
Eduardo, indo finalmente se arrumar...
Todos estavam bem arrumados, até o pequeno Kazumi,
outro filho adotado do casal, de sete anos de idade, o detalhe está justamente
na até então engraçada relação das duas crianças, Yerik é russo e Kazumi
japonês, foram adotados pelo casal quando foram a uma viagem a Rússia. As duas
crianças viviam em um orfanato, a única coisa que Rômulo e Kaolin sabem sobre o
passado de ambos, é que os dois, em épocas diferentes, foram abandonados no
orfanato, por causas desconhecidas, simplesmente abandonaram essas duas
crianças como se fosses nada; creio eu que animais as pessoas tem mais pena e
compaixão de abandonar do que crianças...
Saíram
da casa por volta das 20h30min, chegaram ao restaurante lá pelas 20h45min, era
um atraso de meia hora, todos os convidados por Kaolin estavam ali, com exceção
de uma vizinha do casal, a senhora, coincidentemente chamada Eduarda, já era
idosa e tinha falecido justamente naquele instante no Hospital, era acometida
de câncer cerebral, mas no momento em que Kaolin lhe fizera o convite parecia
estar tudo bem, curioso...
No restaurante o clima era de festa, muita bebida,
música, gente dançando pra lá e pra cá... Transformaram aquele dia, em especial
à noite, numa farra, e convenhamos era apenas um aniversário, um simples
aniversário... Eduardo no salão que surgiu após terem retirado todas as mesas e
cadeiras, questiona-se o porquê para tanto exagero? Afinal, ele nem queria
festa ou algo parecido, apenas queria ficar com sua família em casa, um bolinho
com velas, refrigerante e só.
Algo simples era o seu desejo, porém sua mãe, Kaolin,
fez questão de fazer aquele festão, com o seguinte argumento; - “Não é todo ano
que um adolescente completa dezoito anos” – Jura? Não sabia... “Ed” como era
chamado pelos irmãos, estava com certa vergonha daquilo tudo, pois era um
garoto tímido, porém desinibido, um cavalheiro!



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