Paranormal City - 6 Ep O Destino Espiritual
6 O Destino Espiritual
Em
uma aldeia na floresta amazônica brasileira estava prestes a nascer uma criança
especial. Era noite, a mãe, uma indígena nativa, estava grávida e daria à luz a
qualquer momento, seu marido era um homem branco (não era índio), a mulher
dentro de uma oca estava aos berros, mas quem poderia ouvir seus gritos de
agonia em meio à floresta? Apenas os que residiam na aldeia poderiam
prestar-lhe ajuda. Encontrava-se em um lugar úmido, causado pela leve chuva que
caía, a índia não estava mais suportando tanta dor; era a hora, seu filho ou
filha estava chegando, seu esposo a olhava fixamente nos olhos dizendo-a para
ter calma e respirar fundo que tudo se resolveria. A mulher empurrava a
criança, a parteira já conseguia ver a cabeça do bebê e pedia para a mamãe
empurrar com mais força, a mulher solta mais uns gritos e a criança sai, um
menino!
Neste exato momento outra índia só que mais jovem é
trazida quase falecida para dentro da oca. Também está grávida, porém sem
forças para poder proceder ao parto. Os que traziam a moça a colocaram no chão,
a mesma aparentava não estar mais viva, a parteira assim que termina de cortar o
cordão umbilical do garotinho deduz:
¾
Esta garota já
está morta! Temos que tirar esta criança antes que aconteça alguma coisa!
Ela corre para pegar uma faca que se encontrava
pendurada na parede, joga a faca dentro da bacia com água quente, cuja já
estava sendo usada para o primeiro parto. Após retirar a faca, segue para o
corpo da jovem, ajeitando-a no chão de uma forma que possa cortar a barriga sem
ferir a criança. Começa a cortar. Sinceramente aquela parteira estava agindo
com se fosse um açougueiro, porém é para o bem da criança, consegue retirá-la,
é uma menina! Saudável e bastante forte.
Após o ocorrido a parteira pergunta para o casal que
tiveram o filho mais cedo, como será o nome da criança, o pai responde que o
bebê se chamará Kurumí, em resposta ao desejo dos dois que era ter um filho
menino. Já a outra criança não terá a oportunidade de ter uma mãe e
possivelmente nem um pai, a final, ninguém sabe quem é. A parteira decide
adotá-la, devido a menina ter nascido quando a chuva já tinha terminado e o céu
já estava bem estrelado, colocaram seu nome em homenagem as estrelas, Eirapuã. Os
dois cresceram e se tornaram muito amigos. Kurumí ainda era adolescente, mas
sua fisionomia já era de um homem, inclusive guerreiro. Eirapuã era doce, meiga
e muito bonita, seus traços indígenas eram fascinantes, simplesmente uma deusa
da floresta, todos os rapazes da aldeia tinham uma queda por ela, porém seu
jeito esperto e sua perspicácia não a deixavam cair em tais encantos.
Em um belo dia, há uma pequena movimentação na aldeia
trata-se dos "bens-feitores". Estes vindos da grande capital levavam
remédios, roupas, sapatos e diversas cestas básicas para a comunidade. Dentre
eles havia um casal, ambos bem vestidos pareciam ter grandes posses. Eirapuã
corre e chama Kurumí para prestigiar a chegada dos demais, eles correm em
direção ao tumulto, deparam-se com o casal, envergonhados, porém destemidos
apresentam-se;
¾
Oi! Meu nome é
Kurumí.
¾
E o meu é
Eirapuã. Sejam bem vindos.
¾
Mas que jovens
educados não são Carlos? - pergunta a senhora para seu marido.
¾
Educados e
bonitos nem parece que vivem nesta aldeia, sem qualquer tipo de recurso.
-resmunga Carlos.
¾
Pare com isso,
querido, esses jovens podem ter uma vida esplêndida, se quiserem, não acha?
¾
Que isso Sofia?
Não está pensando em levá-los para Belém, não está? - questiona o marido.
¾
Só uma ideia que
passou pela minha mente, será que seria bom? - indaga Sofia.
Eirapuã um pouco assustada com a conversa do casal
responde que não tem vontade de sair dalí, por mais que seja sozinha no mundo.
Kurumí diz o mesmo, apenas faz um comentário, no entanto triste, diz que seus
pais morreram quando tinha oito anos de idade, e que foram vítima da malária,
comum da região.
Os pais de Emily estavam numa certa “ajuda a tribos”,
o grupo que havia chamado Carlos era uma entidade social que prestava serviço a
comunidades indígenas na região Amazônica, Carlos oferecera várias cestas
básicas, já que tinha comércio, a verdade é que Carlos não queria perder aquela
oportunidade de sair da cidade grande e aventurar-se por aí, estava entediado
da vida que estava levando, de alguma forma sempre conseguia convencer ou
obrigar a mulher, Sofia, a ir com ele. O interessante de tudo é que ele deixa a
própria filha sozinha em casa e simplesmente parte, sem ao menos dizer quando
volta.
Emily está desmaiada em sua casa, Silvia a “babá”,
digo, a vizinha que ficou para cuidar dela, não tem a mínima ideia do que
fazer, Silvia pega um algodão e de um jeito desengonçado o encharca com álcool,
aproximando-o das narinas de Emily com o intuito de despertá-la. A garota
finalmente desperta, um pouco tonta, talvez por causa do tempo que passou
desmaiada.
¾
Você está bem,
garota? O que aconteceu? – pergunta Silvia, preocupada.
¾
Silvia? O que
aconteceu? – Emily está desnorteada, zonza...
¾
Eu que pergunto
Emy, o que anda aprontando pra desmaiar assim do nada? – Silvia já desconfiada.
¾
Nada, que isso
Silvia? Não confia em mim? Eu seria incapaz de fazer algo desse tipo! – uma
possibilidade já que Emy é virgem.
¾
Não queria dizer
isso, mas...
¾
Mas o que? Sou
uma pessoa de respeito! – reclama Emy.
¾
Risos. Tu?
Conta outra, garota, pode até que seja virgem, mas respeito é o que te falta!
Um exemplo é o modo que trata teus pais, mas enfim, o que aconteceu?
¾
Tá bom, deixa pra
lá. Silvia, você vem comigo ao quarto rapidinho?
¾
Ai ai ta bom eu
vou... – Silvia já sabia que poderia ser mais um dos caprichos da filhinha da
família Oliveira.
As duas seguem para o quarto de Emily, e encontram a
porta fechada, o que era estranho, pois quando Emy saiu correndo feita louca,
escancarou a porta. Enquanto Emily e Silvia estão tentando desvendar o
“mistério da porta”, em BellsVille uma dúvida surgia...
Continua...
Autor: Samuel S. Lobo



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