Fênix Ao Resgate XIV


Capitulo XIV
A queda da muralha

Várias pessoas caminhavam pelas ruas. O dia estava claro e suficientemente agradável; se não fosse aquela nuvem escura acima do castelo do Soldado de Ferro. Estranhamente a nuvem pairava incoerente as outras, as quais se moviam a favor do vento e eram intensamente alvas. Contudo, quantos teriam paciência ou tempo para olhar o céu naquela manhã, como notariam?
Um cachorro sujo, totalmente imundo, andava cambaleante com a intenção de passar pela entrada. Logo um soldado irritado o enxotou dali. Algumas pessoas pararam e olharam a cena do ser humano coberto por uma armadura de metal prateado chutando um pobre e infeliz cachorro; outrora, quem sabe, um corajoso não poderia intervir em favor do cão enfrentando o tal sujeito, mas o resultado já era previsto, morreria por desacato e o cão também; então, valeria a vida humana pela de um cachorro pulguento?
Dois encapuzados entraram sorrateiramente enquanto o guarda e as pessoas distraíram-se com o bicho. Os cidadãos não notaram os dois que estavam logo atrás dos quinze que se explicavam ou negociavam para entrar no castelo. Alguns eram cozinheiros, copeiros, serventes, já outros, eram apenas indivíduos os quais reclamariam suas dores ou insatisfações; esses não entrariam com certeza... o guarda retomou sua posição na portaria, nem se deu conta do ocorrido; um, dois, três, talvez sete entraram, os demais foram rigorosamente impedidos. Era melhor retornarem com as próprias pernas para casa, senão a outra opção era uma caixa velha de madeira que seria enterrada em qualquer lugar, isto se ainda tivessem consideração pelo corpo, caso contrário seriam jogados em qualquer barranco longe do castelo. Na menor das consequências seriam chutados como o infortuno cão...
O cachorro voltou cambaleando para trás das árvores há alguns metros da entrada. Era um ponto cego, além de ornarem a abertura as arvores serviam de cercado para controlar a quantidade de pessoas até a portaria. Passaria pelo arco de arvores no máximo cinco pessoas de cada vez, logico, enfileiradas como estavam os tais que queriam entrar. Marie acariciou suavemente a cabeça do animal.
¾   Bom trabalho. – disse a menina sorrindo.
Ela colocou dois dedos na testa do bicho e ele começou a transformar-se ali. Ok, na verdade estava se desformando. A metamorfose durou poucos cinco segundos. Uma luz incandescente rodeou o corpo do cão até que o corpo do menino Sosy ficasse nitidamente em sua forma original. Sosy reclamara de dor, afinal o maldito soldado o chutara. Por sorte a roupa especial amenizara parte do golpe. A quem visse aquela pele falsa pensaria que o garoto estava nu, no entanto bastava aproximar-se um pouco e aquela pele roseada ficava mais evidente. David passara a ele uma capa marrom-escura, assim como as que quase todos dali usavam. Logo, seu corpo ficara coberto o suficiente para que ninguém notasse a tal pele falsa que o deixara tão fofo e ridículo. Aquilo era tão anormal para ser uma roupa que até ganhara pelos na transformação do menino em cão.
Marie e David seguiram para o lado esquerdo da muralha, não muito distante da entrada. Sem mais delongas David iniciou o ataque. As nuvens acima do castelo despencaram em uma chuva intensa. A água do chão seria o suficiente para o menino fazer o que pretendia...
As estruturas pontiagudas grossas pareciam sair do solo em direção a muralha. David estava atrás das formas de gelo. Marie ao seu lado. As armações atingiram no centro o paredão, os prolongamentos de gelo mais finos quebravam fácil, contudo as mais grossas e solidas penetravam imponentes. Assim que alcançavam o centro perpassando até o outro lado a muralha começara a ruir. Rachaduras dantescas surgiam para todos os lados do buraco feito pelas coisas-de-gelo e logo desmoronavam pedaços e mais pedaços da até então imbatível muralha.

O soldado da portaria ainda não acreditara no que vira. Não fora ele que comentara há algum tempo atrás que a muralha era imbatível e ninguém jamais seria louco o suficiente para tentar derruba-la? Bem, ou mal no caso dele, agora ela estava caindo...
Continua

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