O Livrinho Vermelho CAP VI

VI

O Livrinho Vermelho No Porão
Semanas após a chegada dos Tarsus à mansão, esta já demonstrava ares de um lar de família. Mesmo com sua imponente arquitetura medieval e sombria.
Nicholas acordara para mais um dia de aula. Esfrega os olhos e boceja. Tira o cobertor de cima de si, abre vagarosamente os grandes olhos. Isabela abrira as janelas e afastara as cortinas. O sol penetra o quarto com seu esplendor luminoso, claro e quente. Ele se levanta e ainda de pijama arrasta-se pelos corredores até a escadaria e até a sala de refeições, onde já estão seus pais. Isabela lhe sorri simpática. Austin o puxa e o abraça, mal percebe que o garoto já está dormindo outra vez em seus braços. Tommy surge e o golpeia com um soco suave no braço que o acorda de novo. Tommy passa para o lado da mãe à mesa, ela o beija na testa. Emily já estava à mesa, sempre uma garota responsável e pontual. Finalmente Nicholas arrasta-se para seu acento e começa a preparar seu prato de café da manhã. Os alimentos estão dispostos sobre a imensa mesa; pães, sucos, café, ovos mexidos, bolo, presunto, queijo e até mesmo chá. A única que pega o chá é Emily, seguindo sua regra de um dia café e outros três de chás.
Como acordaram cedo, ou relativamente cedo comparado ao horário de saírem, eles tem tempo para uma curta conversa. Austin explica que irá sair com August seu amigo, pois encontraram um museu que lhes oferecera emprego. Não era fácil viver como geólogo ou historiador, dificilmente encontravam algo para pesquisar; mesmo que achassem ganhavam pouco para pesquisa. Então pelo menos num museu teriam acesso ao que tanto amavam, história.
Isabela iria visitar Susana sua amiga. Não era chamada para trabalhos há um tempo, como arquiteta sempre queria fazer belas e modernas obras, mas nem sempre eram aceitos esses projetos. Por isso decidira trabalhar para seletivas pessoas, e não numa construtora ligada no capitalismo selvagem. Onde caberia a arte em meio ao comércio? Questionava-se.
Nicholas e Tommy logo estariam na escola, mesmo sendo um lugar novo aproveitavam a companhia um do outro. Descobriram no primeiro dia de aula que Vinícius, filho de Susana, estudava na mesma escola que eles. O garoto era da sala de Tommy, infelizmente Nicholas ficara numa turma isolada longe do irmão e do amigo. Porém conhecera algumas pessoas. Uma garota louca que adorava dançar e um gordinho que lamentava dos seus infortúnios. Apesar das esquizofrenias de cada, se tornaram logo bons amigos.
Emily estudava à tarde, passava a maior parte da manhã lendo os livros da biblioteca da família. Acostumara-se em fazer isto. Era um bom hobby.
Quando voltara da escola, Nicholas encontrara a casa solitária e silenciosa. Emily havia saído para a escola e o irmão ainda não chegara. Seus pais também não estavam. Gunther o mordomo também tinha saído, apesar das tentativas de dispensar o servente ele recusara qualquer aposentadoria, insistia em dizer que era fiel aquela família há anos. Restaram poucos empregados na casa, os que também se recusaram a sair. Depois Isabela os entendeu, estava explicito no testamento que seria feita a vontade dos empregados da casa e que eram amigos há anos da família. Isabela simpatizava muito com Catherine a cozinheira, uma senhora simpática e misteriosa. Isabela se lembrara dela em sua infância.
Nicholas entediado passeava pelos cantos da mansão, há algum tempo que havia deixado de lado sua aventura pelas entranhas da mansão. Agora, no momento de tédio, resolvera por a aventura em dia. Nessa empreitada acabara por descobrir o porão, onde dificilmente alguém descia além dos empregados. Nem pensara duas vezes, o moleque correu escada abaixo sem nem mesmo acender a luz. Estranhamente encontrou outro interruptor de lâmpada no fim da escada de pedras.
Haviam muitas coisas guardadas ali, e também a área de lavar roupas. O garoto mexera em tudo. Até que encontrou um espaço atrás de uma estante abarrotada de livros velhos e comuns. Observou por um instante e percebeu um recuo na parede, fez força e afastou a estante. Atrás dela havia um recuo onde era guardado um livro apenas. Ele estava protegido por um vidro e posto numa plataforma como um enfeite. Nicholas procurou uma forma de abrir aquele vidro, estranhamente ao tocar nele teve a impressão de vê-lo cintilar. O garoto observou que agora poderia desliza-lo para o lado esquerdo.
Não tinha poeira alguma dentro do reservatório do livro, ele estava intacto do ambiente exterior. Nenhuma traça, ou seja, o que pudesse corroê-lo entraria ali. Nicholas tomou em mãos o pequeno livro de cor vermelha, sentiu um arrepio na espinha. Olhou subitamente para trás, mas não era nada ou pensou que não fora nada. Cuidadosamente analisou o livro, tinha símbolos parecidos com os da capa dos outros do baú que havia encontrado quando chegara à mansão. Logo se desanimou pensando que o livrinho vermelho estaria em branco como os outros. Abriu na primeira pagina. Tomou um susto ao ver seu nome sendo escrito de repente sem que ele nem tocasse na pagina. Jogou o livrinho no chão e o observou até que se completasse o nome.
Olá!
Caro neto,

Nicholas Lawrence Tarsus.
***                 ***                   ***               ***
E enfim a história entra na metade... 
Continua...

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