O Livrinho Vermelho CAP V

Capitulo V
Fantasmas?
Ainda curiosa com o que ocorrera, Emily pôs-se a andar pelo corredor. Passou pela escada do sótão, ouviu um burburinho, então retornou e subiu pela escada. Avistou a portinha de entrada, na fechadura havia uma pequena chave. Ela a tirou e pensou em devolvê-la para a mãe, porém a curiosidade a fez colocá-la de novo e abrir a porta.
Austin ajeitava a TV na estante quando Tommy surgiu na porta, ao lado esquerdo da sala, selou-a atrás de si com tamanha expressão de espanto.
¾   Calma, filho. Viu um fantasma? – disse Austin sem acreditar nas próprias palavras.
¾   Tinha... Alguma... – tentava falar Tommy entre uma ou outra interrompida respiração profunda – coisa La fora! – terminou o garoto piscando os olhos para confirmar se tudo isso não era um sonho ou pesadelo.
¾   Duvido muito. E se houver, talvez seja apenas um animal caçando sua presa. Não fique assustado, filho, que isso! Nunca te vi com medo de nada! – falou Austin com um sorriso maroto no rosto.
Será que ele já ficou sabendo?  Pensou Austin, referindo-se aos recentes desaparecimentos próximos a mansão. Os vizinhos de muito longe, assim como alguns caminhoneiros de uma parada ali perto, diziam ser ataques de lobisomens. Para Austin isso não passava de besteira, contudo ele sabia o efeito dessa informação aos filhos. Deixá-los-ia em pânico.
Emily abriu a porta num silvo estridente. Deparou-se com o irmão parado de costas para ela, ele estava com os olhos fixos num vaso com uma planta velha e ressecada. Emily o tocou no ombro, Nicholas virou a cabeça até poder vê-la. Seus olhos estavam como holofotes acesos de noite, grandes e distantes. Nicholas balançou a cabeça parecendo acordar de um encanto, fitou a irmã não acreditando na presença dela ali.
Os dois saíram do sótão às pressas, isso porque Nicholas puxou a irmã de La e a trouxe para fora. Ela mesma sem entender deixou-se ser levada.
Isabela já estava enfastiada de ter que arrumar tantas coisas no quarto, mesmo conseguindo ajeitar ali ainda teria o restante da casa. Deixaria para o dia seguinte. Eram pequenos detalhes que apenas ela perceberia nessa arrumação, afinal todos os objetos estavam em seus devidos lugares. E também haviam muitos móveis herdados ali, peças de porcelana e acolchoados de luxo e requinte. Porém Isabela não pretendia usá-los, pois tinha respeito pelo que havia sido do Avô.
Pela varanda do quarto, Isabela podia de longe ver fortes luzes da cidade. O vento levava sutis mechas da cabeça de Isabela, ela apoiou-se com os cotovelos no parapeito e ficou ali olhando e apenas curtindo o silencio. Quando estava no seu nada confortável apartamento, jamais imaginaria gozar de tal conforto e quietude.
No quarto de Nicholas tentava explicar o que ocorrera no sótão. Claro, a irmã não acreditava em uma palavra sequer do que ele dizia; ele sempre fora um garoto meio fantasioso. No entanto algo a fez ponderar, quando Nicholas disse que estava com a chave ela logo pensou na que tinha pegado da porta. Emily pôs as mãos nos bolsos da calça e notou, não estavam ali. Será uma alucinação ou fantasmas? Não, isso não, pensava a garota. Já bastava a história de Tommy com a porta do banheiro, agora estavam perseguindo-a. estas coisas só poderiam ser traquinagens dos irmãos.
Emily chamou a mãe, logo estavam Emily e Isabela vasculhando o baú de Nicholas. Isabela parecia pensativa demais, como se relembrasse algo importante, mas não disse coisa alguma. Mesmo a pedido da filha Isabela não castigou Nicholas e ainda tirou Tommy do castigo. Não explicou nada para os filhos.
Austin não contrariou a posição de Isabela quanto à retirada dos castigos. Depois teve um breve conversa com a esposa, ela apenas lhe disse que logo entenderia, mas que a deixasse pensar nisso por um tempo.
Continua...

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