Paranormal City - Episódio 13º Natirmorto
13 Natirmorto
Assim que os West deixaram a residência, Steve, fecha
a porta e começa uma “faxina” em seu consultório, estaria ele procurando algo?
Steve sempre fora um cara organizado, gostava de tudo em seu devido lugar. Sua
personalidade forte, fazia com que ninguém o desrespeitasse, sua mãe o ensinara
a ser educado, bom, porém jamais besta. Algo o perturbava, “algo estava fora do
lugar”, pensava. Logo após deitar-se em seu sofá, alguém bate na porta,
completamente exaurido, decide ignorar, mas as batidas ficavam mais fortes e
frequentes. Decide ir atender, quando abre a porta, depara-se com Austin que
entra e dispara.
O que houve aqui
essa noite? – Sua expressão era de assustado e nervoso.
Do que estás
falando, garoto?
Eu vi os West
saindo daqui essa madrugada, o que queriam?
¾ Só vieram trazer Aiko, parece que ela se sentiu mal e
resolveram ajudá-la.
¾ Bom, tudo bem. Steve, eu estava indo para casa vi a
movimentação e me escondi, por causa do Sr. Romulo e observei eles trazendo a
viuvinha...
¾ Então tu estavas na moita? - Steve era bastante
humorado.
¾ Sim, afinal se me vissem que explicação eu ia dar pro
seu Romulo, oras, eu estava andando de madrugada na rua, e ele me conhece,
conhece meus pais, sabe que eu não saio, se não cedo e com o Ed!
¾ Isso é verdade... Bom, Aiko teve um surto e foi levada
para Hospital Psiquiatrico de Whichita.
¾ Mas o que fez ela ter um ataque?
¾ Oras, Austin, não é óbvio? A recente perda do marido
ainda causa sérios danos psicológicos a ela, até pela forma brutal e cruel da
morte dele. Deus o tenha. - Terminou de falar fazendo o sinal da cruz, Steve
não era religioso ou frequentava alguma igreja, mas acreditava em Deus, e os
gestos havia aprendido quando criança, afinal sua família era bastante
católica.
¾ Ahh sim, é verdade, triste, né?
¾ Bom, já que estás aqui, vai me fazer companhia para o
café da manhã e ainda vai me ajudar a FAZER e a COMER. Risos. E aproveita e me
conta as novidades. Tô sabendo que Eduardo está namorando, e é com uma outra
pessoa que não sejas tu!
¾ Risos. Foda-se Steve!
¾ Estava brincando, vocês são tão unidos, parecem
irmãos.
¾ É né. É o irmão que não tive.
Steve olha
fixamente Austin nos olhos se aproxima e dá umas tapinhas nas costas dele, como
se estivesse confortando-o. Não era fácil para Austin viver sozinho depois que seu irmãozinho morreu
há uns anos atrás vítima de uma doença desconhecida.
A água está
fervendo no fogo... A cozinha de Steve é incrivelmente confortável, há um
balcão que liga a sala de jantar à sala de estar, e no banco próximo ao balcão
estava Austin, observando Steve preparar o café. Steve se aproxima do balcão e
olha diretamente para Austin, e em seguida inclina com a cabeça, como se
quisesse entender o porquê de Austin ser tão bonito. Ele simplesmente o fitava,
admirando-o, seus olhos brilhavam. Austin desconcertado pergunta: “Porque me
olha assim? ” Steve responde: “Eu ainda não tô acreditando que tu tá aqui, de
novo...”
Austin já havia estado na casa de
Steve há umas semanas atrás, o Dr, o convocou para ajudá-lo em uma mudança,
estava preparando o laboratório na parte de trás da residência do médico. Os
pais de Austin nem fizeram questão de o rapaz dormir lá, afinal tratava-se do
Dr. Steve, o médico mais simpático e incrível que a cidade tinha.
Austin
questiona o médico.
¾
Por quê achas que não viria mais por aqui?
¾
Não sei, da última vez tu dormiu aqui e na manhã seguinte ficou um clima
estranho quando tu saíste e o pessoal ficou olhando...
¾
Pera aí! Não acha que o povo possa estar pensando que nós dois naquele
dia ...
¾
Sim, é exatamente isso o que estão pensando...
¾
E como a gente vai se livrar dessa?
¾
Por que deveríamos nos livrar?
¾
Não seria melhor... – Steve franzi a testa.
¾
Seria melhor...
¾
Que você dissesse que está morando comigo, pois preciso de um ajudante.
¾
Mas o que isso tem a ver?
¾
Não sei, é apenas uma sugestão... – Steve nunca fora de mentir ou
inventar desculpas, era um homem íntegro e honesto.
¾
Então, o que faremos?
¾
Vamos deixar rolar os boatos, que são verdadeiros...
¾
Espera! Espera! Mas...
¾
Mas, o que, Austin? Tu não és mais um garotinho, já sabes o que queres
da vida, agora se pretendes ficar nessa de vai e vem...
¾
Mas tudo tem que ser assim tão descarado?
¾
Me diga o que está sendo descarado? Estás se preocupando à toa.
¾
Só te aviso que minha porta e OUTRA coisa estará sempre aberta para ti.
¾
Hahaha. Seu puto!
¾
Também te odeio. Bjs. E tome seu café!
Após terminar o café, Austin, sai sorrateiramente, de novo, da casa de
Steve, neste momento uma vizinha avista-o e dispara: “ Bom dia seu menino! O
que anda aprontando tão cedo? ” Ele responde: “Nada de tão importante, vou
fazer umas coisas pro papai ”. A vizinha acena com a cabeça confirmando o que
ele disse, mas desconfiando.
Não era a primeira vez e muito menos a segunda, que, Austin dava umas
escapadas para a casa do Dr. Steve, ele era apaixonado pelo médico, mas não
consegue assumir um compromisso sério, porém o que mais pesa é a sua
consciência, pois como nasceu em uma família tradicional, não consegue ter uma
visão mais ampla das possibilidades de amar, então o que pensa que amor, na
verdade é prazer, fazendo com que se esgueire pela cidade “comendo” o que vem
pela frente.
Na noite do surto de Aiko, antes de ser convidado a ter uma transa
rápida com Kaolin, havia transado com mais duas damas de classe alta que o
pagavam para ter a relação sexual e assim realizar os desejos mais repugnantes
possíveis. Austin não se limitava, “Tudo em nome do prazer” era seu lema. Mas
nesta vida, nem todo gemido é de prazer…
Raissa sabia exatamente isso, afinal gemia, mas de dor, angustia. O
Hospital Psiquiátrico estava lotado, como de costume, por loucos, mas o quarto
de Raissa era particular, uma vez que ela estava ali apenas para um tratamento
pós-parto. Nicolas a atendeu cuidadosamente, entendia a dor daquela mulher....
Não é fácil perder um filho, ainda mais quando se trata do primeiro, imagine,
tudo pronto, enxoval, quarto, expectativas... E tudo simplesmente ir buraco a
baixo em um mini caixão... Raissa havia perdido seu bebê há uma semana, porém
ainda o sentia em seus braços, e relatava à Nicolas que a noite o sentia
mamando em seu seio, Guilherme ainda estava com ela. Nicolas sabia que não
passara de uma alucinação devido ao trauma.
Em seu consultório, Nicolas, vasculha e estuda o caso de Raissa, fotos,
dados, e tudo que possa explicar a morte do filho dela. Há um relatório...
Continua..
By: Samuel S. Lobo



Comentários