Heart Attack - Episódio XVIII Orações ou Súplicas?




EPISÓDIO XIII ORAÇÕES OU SÚPLICAS?

A ambulância que trazia o pequeno Andrew e Leonard estacionou, e os enfermeiros puderam retirar o moleque, visivelmente notava-se que ele não estava acordado. Empurravam a maca às pressas naqueles corredores estreitos do Hospital. Onde está a Drª Karina? Perguntava um dos enfermeiros a um médico que estava passando pelo local. O médico responde: Na ala 45. O enfermeiro retruca: Avise-a que temos um caso de emergência, e que se trata de uma criança.
A vida da Drª Karina nunca foi tão perfeita, como os pacientes achavam que era. Com seus 18 anos deu à luz a um menino, que se chamava Pedro, fruto de um romance passageiro, inconsequente. Bom, se pelo menos ela conseguisse identificar e localizar o pai da criança. Infelizmente, seu filho nasceu com uma doença terminal, não haveria menor chance de salvação para a criança que viveu até seus seis meses e quarenta e nove dias. Tempos difíceis para o coração de Karina. Depois dessa gestação, nunca mais conseguira manter as futuras. Engravidava, mas os abortos eram certos aos seis meses e quarenta nove dias... Karina já estava paranoica, mas seu médico disse que se tratava de um distúrbio psicológico que não a deixava manter a criança, e seu cérebro ao sexto mês e quarenta e nove dias de gestação, a lembrava da perda, e consequentemente, a transmissão era feita ao útero que imediatamente tratava de “se livrar” do feto. Desde então, dedicou sua vida a medicina infanto-juvenil. Sua felicidade era poder ajudar crianças, em estado terminal, a ter uma nova chance de vida. Drª Karina entra no quarto.
¾    O paciente como se chama?
¾    Andrew Drª.
¾    Já foram solicitados os exames?
¾    Sim, senhora. – Respondeu a enfermeira chefe, Marta.
¾    Ok, Martinha obrigada.
¾    Drª tenho que me ausentar deste caso, pois estou tratando de outro...
¾    Eu sei, Marta, a mulher que tu agrediste...
¾    Sim, mas já expliquei o porquê.
¾    Certo. Deixa que eu fico com ele um minutinho. Antes de ver os resultados do exame quero fazer uma oração por ele. Veja como está pálido...
¾    Realmente Drª esse menino precisa mais Deus do que nós, coitadinho... – Marta retira-se. Drª Karina começa a oração.
Senhor, meu Deus, em primeiro lugar te peço perdão pelos meus pecados, lava a mina alma com teu sangue purificador, aniquila os pensamentos que não te agradam e faz de mim um vaso em tuas mãos. Senhor, sou tão pequena perto de tua grandeza, meu Pai, sou um nada insignificante, diante de Ti, ó Senhor! Mas te peço tenha misericórdia desta criança, eu não a conheço e nem sei o motivo dela estar aqui, mas Senhor, cura, liberta, derrama teu sangue sobre a vida deste pequenino. É o que te peço e te agradeço. Amém.
Ao terminar a oração, Karina abre os olhos, e se espanta ao dar de cara com Andrew a observando seriamente.
¾    O que estava fazendo? – Karina se apoia na cama e levanta devagar.
¾    Orando, meu rapaz. – Ela estava desconcertada.
¾    E o que é isso? Você parecia estar suplicando...
¾    É quando falamos com Deus, nosso criador. Não era uma súplica, mas sim, um pedido...
¾    Deus? Nosso criador?
¾    Sim, não o conhece?
¾    Não... – Andrew franzi a testa e continua com olhos arregalados, acompanhando cada movimento da médica.
¾    Bom, eu sou a Drª Karina, sua médica a partir de agora. Se precisar de mim, é só me chamar e eu virei correndo.
¾    O que eu tenho?
¾    Ainda não sabemos, mas já, já saberemos, mas não se preocupe deve ser só uma bobagem...
Karina sempre acreditava que as doenças eram bobagens, e que as pessoas ficam doentes porque Deus permite, pois assim Ele está testando até onde vai a fé dos filhos Dele, assim como fez a Jó, o homem rico mencionado na bíblia cristã, onde perdera tudo o que tinha, família, amigos, riquezas, tudo isso por permissão de Deus, já que satanás, inimigo já derrotado Dele questionava a fidelidade de Jó para com Deus.
Os resultados haviam saído, em sua sala médica, Karina, avalia e observa atentamente cada detalhe dos exames. Seu olhar era de preocupação e espanto, não estava acreditando no que estava constatado ali. Era demais! Senhor, mais uma vez te peço se compadeça, tenha misericórdia dessa criança. Dizia em voz baixa. Os papeis dos exames estavam todos amassados de tanto Karina os apertar com força. De fato, era impossível acreditar que aquela criança estaria passando por isso.

Karina lamentava em segredo, mas sua angústia era tamanha que não conseguia esconder as lágrimas, ela caminhava no corredor para ir ver Andrew. Lá vai a crente chorona! Dizia um colega de trabalho que estava passando pelo local. Pelo menos tenho alma e coração, não sou uma pessoa vazia cheia de amargura que vive se entupindo de bebida! Retrucou Karina, ainda chorando. Daniel, o colega de trabalho era ateu convicto, pelo menos era o que dizia... A vida dele era cheia de tormentos e situações deprimentes. No ano passado na festa de aniversário de Marta, a enfermeira chefe do hospital, Daniel havia levado umas bebidas alcóolicas, a qual só ele bebeu, afinal a festa era de “dos crentes”, ele foi por consideração a Heitor, seu amigo, mas seu desejo era estar bem longe dali, longe mesmo...

Continua...


By: Samuel S. Lobo

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