Heart Attack Episódio XI Misericórdia


Misericórdia

Em um quarto do principal hospital da cidade encontrava-se uma jovem, sua aparência era decrepita, ao que parecia, havia sido surrada. Sua aparência era deplorável. Uma enfermeira aproxima-se da jovem, que estava em estado de choque, deitada na cama, olhando para o teto, com olhar assustado.
¾    Não se preocupe... (olhou na ficha de prontuário, não havia identificação) fulana...
¾    Deus tenha misericórdia... sussurrava a “fulana”
¾    Jesus! Que susto! – A enfermeira olha para a paciente com os olhos arregalados. A “fulana” a fitava com um olhar odioso.
¾    O que disse?
¾    Que Deus tenha misericórdia dá tua alma... – a “fulana” não parecia estar mais em estado de choque, sua feição era outra... A enfermeira pega uma seringa e injeta um remédio tranquilizante no soro da paciente.
¾    O que está fazendo Marta ou prefere... “eguinha”? – Marta, a enfermeira, reconheceu aquela voz...
Logo pela parte da manhã, em um bairro afastado do centro, em uma casa simples, Marta, que é enfermeira no Hospital Vida Segura, acordara de uma noite de sono nada agradável.... Na noite passada, seu marido Heitor Conteras, com quem é casada há uns 30 anos, havia chegado tarde de uma reunião na empresa, e estava estressado. E sua forma mais simples de resolver o problema do estresse era transando. Como de costume, tomou banho e se “aprontou” para, enfim, você sabe o quê. Marta estava no clima, já estava na cama esperando-o, já sabia que viria, era costume, todo dia, ao chegar do trabalho, Heitor exigia essa “seção de desestresse”. Marta não reclamava, porém naquela noite, em particular, haveria de reclamar, pela primeira vez...
Heitor é um cavalheiro, sabe tratar uma dama, e principalmente, sua esposa, são 30 anos de casamento e a transa do casal, sempre fora repleta de desejos ardentes e paixão descontrolada. Mas, naquela noite, seria diferente... Heitor a introduz, Marta excitada geme. Começam a transar. Em meio a gemidos, delírios, e corpos ofegantes, além dos sussurros de prazer, quase no clímax, Heitor dispara:
¾    Tá gostando sua puta? Vou acabar contigo essa noite, tu gostas né, sua eguinha? – Neste momento, Marta olha para Heitor fixamente, com cara de espanto.
¾    O que tu disseste? – Indignada pergunta. Heitor não responde e continua a dar as bombadas, porém Marta já não está curtindo, na verdade, está incomodada, Heitor está diferente. Ele não fode desse jeito. Pensava.
¾    Heitor, querido tudo bem?
¾    Como eu te amo minha eguinha, tu gostas desse cavalo possante não gosta? Diz que sim...
Imediatamente, Marta fecha as pernas e se esquiva de Heitor, pegando seu lençol e se cobre, deixando seu marido ali com o pau completamente ereto, louco de tesão.
¾    O que houve contigo? Está louco? Ou andou bebendo? Fumando uma ou quê?
¾    Nada, meu amor. O que foi que eu fiz? Não estava gostando?
¾    Não foi o que tu fizeste e sim o que tu disseste...
¾    E o que eu disse? – Heitor fez uma cara de que não estava entendo nada.
¾    Foda-se! Vou dormir! Boa noite. – Marta se ajeita do lado direito da cama e dorme. Heitor sem entender nada. Se contenta e deita, cobre-se com lençol, mas estranha o fato de ter perdido totalmente o tesão, porém seu membro ainda está ereto por baixo do lençol.

A voz era semelhante à de seu marido, Heitor, mas só podia estar delirando, deve ser o estresse do trabalho. Pensava. O que não era verdade.
¾    Foi diferente não foi?
¾    Não sei do que estás falando...
¾    A foda, Marta!
¾    Ele jamais falaria algo do tipo para a pessoa que ele mais ama e respeita.
¾    Olha aqui garota, eu não te conheço, você não me conhece. Agora que estou te vendo pela primeira vez e tu vem com essa pra cima de mim?
¾    Martinha, mas eu conheço o “Heitor”... – disse o nome dele com deboche.
Bastou isso para Marta pular em cima da “fulana” e começar a esbofeteá-la.
¾    Provavelmente é você que ele chama de “eguinha” né sua puta? – Marta a agarra pelos cabelos e com a mão direita a esbofeteia.
¾    Isso Marta, desconta em mim, a traição do teu amado marido infiel!
¾    Safada! Por isso ele agiu daquela forma, deve ter provado as impurezas dessa vida profana, e tudo por culpa tua, sua vadiazinha!
¾    Socorro! Me ajudem! – Gritava a paciente.
Entram dois enfermeiros e tiram Marta de cima da “fulana” que além de decrépita, estava ensanguentada agora. Levaram Marta, para uma sala, ao final do corredor e lá deram água com açúcar. Tenho que voltar lá e acabar com a vida dela. Pensava. No quarto os enfermeiros assistem a paciente. Ela que novamente está olhando para o teto fixamente, e com semblante sereno, como se não tivesse acontecido nada. Os enfermeiros se olham e estranham o comportamento e se retiram. A Jovem olha para a porta se fechando, com um sorriso malicioso no rosto. Achei o rato, hora de armar a ratoeira.

Na delegacia de polícia, Carl é enfático.
¾    O que faremos com este menino?
¾    Não sei chefe. – Responde Carlos Eduardo ajudante de Carl.
¾    Às vezes eu me pergunto, pra quê tu serve?
¾    Risos. Pra lhe levar café!
¾    Ah isso sim! Falando nisso...
¾    Já estou trazendo chefe...
¾    Sem açúcar!
¾    Captei. – Ed sempre fora um rapaz gentil, admirava o chefe, fazia de tudo para agradá-lo.
¾    Leonard! Traga-me o garoto. Leve-o a minha sala, quero conversar com ele!
¾    Ok, Sr. Carl.
Andrew estava em uma sala, na delegacia, sozinho, fitando a parede e, como sempre, falando sozinho, ou pelo menos parecia que conversava sozinho... Leonard entra.
¾    E aê garotão! Sr. Carl quer conversar contigo... – Andrew o olhava serenamente, como se não tivesse ouvido...
¾    Terra para Andrew... Sr, Carl quer falar contigo, câmbio. – Leonard sempre fora um brincalhão amava crianças, mas não poderia amar aquela...
¾    Ok. – Andrew caminha, passa sobre Leonard, e segue para a sala de Carl.
Andrew entra na sala, e intimamente senta na cadeira e cruza as pernas e as mãos.
¾    Estou aqui Sr. Carl. – A voz estava em um tom confiante. Carl estranha.
¾    Tudo bem Andrew?
¾    Melhor? Impossível...
¾    Você sabe o que aconteceu?
¾    Sei sim, mamãe e papai estavam no teto, então... – é interrompido por Carl.
¾    Espera. Espera. Me refiro ao que aconteceu ontem à noite...
¾    Não lembro...
¾    Como não se lembra, você estava lá, não é?
¾    Estava, mas ao mesmo tempo não, sabe?
¾    Não, não sei... ME EXPLICA.
¾    Só sei que lembro de estar no quarto conversando com minha irmãzinha, Elizabeth, ela estava no berço, chorando, eu estava tentando acalmá-la.
¾    E depois?
¾    Depois ela dormiu e eu fui para o meu quarto... E quando acordei estava descendo as escadas...
¾    E do que mais lembra? Como assim “quando acordei estava descendo as escadas” – Carl se questionava. Mas deixou Andrew continuar o relato.
¾    Vi Joe na escada com as mãos cheia de sangue... ele me olhou... foi estranho, não era o Joe.... Aí eu corri para o quintal e fiquei esperando a Violet.
¾    Certo. É só isso que se lembra?
¾    Sim.
¾    Tudo bem. Leonard!
¾    Sr. Carl, posso ver o Joe?
¾    Andrew seu irmão está no hospital, ele precisa fazer uns exames com um médico, quando estiver bem, deixaremos você visitá-lo...
¾    Mas, meu irmão não está doente.
¾    Sabemos disso, mas o médico que está cuidando dele, é como um grande paizão, sabe? Ou um grande amigo que temos e contamos tudo o que sentimos, sabe? Essas coisas...
¾    Não, não sei – Andrew sai da sala acompanhado de Leonard.
¾    Quer tomar um sorvete garotão?
¾    Serve.
Leonard o leva ao outro lado da avenida a uma sorveteria, lá eles conversam mais, e Andrew pergunta sobre Violet, Leonard franzi a testa e olha preocupado para Andrew.
¾    Violet foi levada para o hospital, ela não estava nada bem.
¾    Sei disso, depois do que fizeram a ela, não poderia estar bem. – Andrew estava muito calmo, e isso já estava assustando Leonard.
¾    Você gosta dela? Ela cuidava bem de vocês?
¾    Preferia Serena. Ela contava histórias de terror pra gente.
¾    Você quer dizer, sua mãe...
¾    Sim...
Para Leonard a atitude do pequeno Andrew era fora do normal, ele falava como se não se importasse com a situação, a única pessoa que demonstrava preocupar-se era Joe. Andrew tomava o sorvete quando começou a tossir, Leonard ficou preocupado, a tosse era seca, porque eu te dei sorvete, garoto. Pensava. Só pra piorar essa tua tosse. Andrew nunca se livrara daquela tosse, coitado, nasceu doente, seus pais fizeram de tudo para melhorar a saúde e a aparência do filho que mais parecia um doente em estado terminal, sua magreza era notável, e suas olheiras escuras faziam parte daquela fisionomia quase mórbida. Leonard entregou um lenço de papel a Andrew ao perceber que expelia sangue, a cada tossida. Não deu outra, pegou o garoto e o levou para uma clínica próxima dali.
Ao chegar na clínica a secretária pergunta qual o problema, Leonard explica. Enquanto isso, Andrew observa um aviso na parede. ATENDEMOS SOMENTE CASOS DE GRIPE, ALERGIAS, QUADRO DE INFECÇÕES E HEMORRAGIAS. ESTA CLÍNICA CONSULTA E PRESCREVE, PORÉM, CASOS MAIS GRAVES SÃO TRANSFERIDOS AO HOSPITAL VIDA SEGURA. AGRADECEMOS A COMPREENSÃO. Andrew terminou de ler e logo em seguida encontrava-se no chão, debatendo-se como um animal, o chão começara a ficar lambuzado de sangue que escorria do nariz do garoto. Leonard ao ver aquela cena, se desespera e tenta acalmar o garoto, o que é em vão. Senhor! Não toque nele. Chamaremos a ambulância para leva-lo ao HVS. Disse a secretária eficiente. Dois enfermeiros apareceram, fizeram o procedimento, o colocaram e uma maca, e Andrew continuava com as convulsões. Ao saírem o carro médico já estava esperando-os. Colocaram-no dentro da ambulância e Leonard se jogou lá dentro e o acompanhou até o Hospital.




Continua...

By: Samuel S. Lobo

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