Como o Sol e a Lua


Como o Sol e a Lua
Eis que um menino indígena sai a caminhar com seu irmão mais velho, e acabaram de ouvir os padres naquela pequena igreja próxima as arvores mais baixas. Seus pais ocupavam-se com afazeres da aldeia. De repente o menor começa a pensar sobre o que os tais padres haviam falado, algo sobre o tal Deus único.
¾   Irmão, o que você acha desse tal Deus?
¾   O que tem, Araquém, estás com alguma dúvida? - Pergunta o mais velho, pega uma pedra e atira acertando em cheio o gato-do-mato que curioso espeitava os dois.
¾   Não sei, só não entendo o que eles falam... Não entendo porque desprezam nossos deuses e os chamam de pagãos, ou o porquê que querem que acreditemos no que falam...
¾   Irmão, conheces bem o sol, certo? - Diz o mais velho elaborando uma explicação mais simples que pudesse esclarecer as coisas pro irmão.
¾   Sim, não está ele todos os dias acima de nós, como poderia me esquecer? - Afirma o pequeno Araquém, estava indignado com a pergunta do irmão.
¾   Bem o sabes que antes prestávamos grandes festas e oferendas para ele não é?
¾   Sim também, como não, ele nos aquece todos os dias e nos prestigia com luz! Louvado seja!
¾   Então irmão, como bem o dizem aqueles la esse mesmo sol que nos aquece e oferece luz foi criado por um só Deus não é?
¾   É o que dizem...
¾   Mas vou tentar lhe explicar uma coisa, ouça bem.
Apesar de desconfiado o menino sentou ao lado do irmão mais velho numa pedra alta que estava perto do grande rio, outrora correriam os curumins da aldeia pra dentro daquela água límpida e serena. Claro que não ficaria tanto tempo serena, logo ficaria em alvoroçada agitação com as brincadeiras dos meninos e meninas. Então Amonati começou a falar, e eis que disse:
¾   O sol nos aquece todos os dias e nos oferece luz, mas nem todos o prestigiam por isso; alguns nem mesmo o notam ali. Mas quando um que seja o observe por um tempo tem a visão embaçada e é obrigado a desviar o olhar. Não o podemos ver em sua excelência e esplendor, mas ele continua brilhando e resplandecendo ali em cima. Às vezes é coberto pelas nuvens, que estão ou alvas ou escuras de chuva ou mesmo em poucas e desfeitas massas e, portanto, pouco aparecem e não o cobrem por completo. Entretanto, Araquém, o Sol continua la, brilhando e esperando o momento certo para aparecer e distribuir sua alegria que nos aquece, esquenta nosso corpo e a alma também, quem não fica feliz em ver o sol depois de um longo tempo de chuva? Não importa o que façamos ou no que acreditemos, o sol sempre está la, desde quando nascemos e até quando morrermos ele continuará aquecendo corações e fazendo felizes pessoas que estão em longo período de chuva ou seca.
¾   Então, Amonati, o sol dessa história é o tal Deus único?
¾   É sim, você entendeu agora o que os cristãos querem dizer?
¾   Entendi, querem dizer que apesar do que as pessoas falem, façam ou acreditem, Deus continua esperando por elas. Ele quer aquece-las e oferecer sua alegria e fazê-las felizes, quer brilhar e ser visto, mas não podemos vê-lo, não é? Pelo menos não tanto quanto queremos, mas vemos o que possa ser o suficiente para entender como ele é.
¾   Você entendeu mesmo, Araquém.
¾   Mas Amonati, diga-me outra coisa, e sobre o tal Cristo que eles chamam de Filho de Deus, isso também não entendo...
¾   Já que falamos do sol, podemos falar daquela que ilumina nossas noites, sabe quem é?
¾   A lua.
¾   Isso. A lua está la no céu nos iluminando, em sua luz branca e alva. Mas já percebeu que ela não aparece sempre e as vezes aparece em pequenas porções?
¾   Já sim, mas o que isso tem a ver com Jesus?
¾   Calma Araquém, vou explicar. O sol está atrás da lua, iluminando-a, a luz que vemos é do sol. Mas nem sempre ele pode ilumina-la por completo por muitas razões, e nem sempre pode ilumina-la, aí ela não aparece.
¾   Ah, entendi, foi como o Padre Silva falou, você está dizendo que a lua é Jesus e que nem sempre ele é visto pelas pessoas, e se é nem todos dão importância devida. Não é?
¾   Em parte sim, mas a lua também pode representar milhões de outras pessoas. - Araquém olhou confuso para o irmão. - Pense assim Araquém, algumas pessoas deixam Jesus muda-las por completo, outras só um pouquinho a mais, e outras nem o querem e também não o reconhecem, e também tem aqueles que não o conhecem. Mas você estava certo, não se esqueça que Jesus também foi homem, mas ele era iluminado por completo pelo pai dele, Deus. Assim ele quer que sejamos, entende?
¾   Agora sim, Amonati! Quer dizer que esse Deus permitiu que o filho viesse mostrar aos homens como agrada-lo para que ele os fizesse Felizes e também o modo de conhece-lo sem que se ofuscasse a vista e o vissem de forma errada, embaçada. Através desse filho, que foi como os homens, podemos saber como brilhar o resplendor de Deus, e podemos entender que sozinhos não temos luz e vivemos em trevas, pois nem mesmo as outras estrelas podem brilhar como o sol!
¾   Você disse mais do que eu pretendia Araquém, mas é isso mesmo. E você pode entender que as estrelas são as outras criações de Deus, e que apesar de brilharem como ele, não brilham tanto quanto ele e não são capazes de nos fazer felizes, só ele. Perceba que elas já são como ele quer, agora nós precisamos estar sobre a luz Dele para brilharmos e sermos como ele quer.
¾   Obrigado, Amonati!! Agora eu quero conhecer mais desse Deus. - O menino deixou o irmão ali mesmo e correu de volta a aldeia com um sorriso infantilmente encantador, queria dividir a novidade com todos.

Eis que observando a agua tranquila a seguir seu rumo Amonati percebeu os peixes aparecendo na beirada. Amonati não entendeu o motivo, mas queria sair dali, sair e encontrar o Deus que pode iluminar a alma humana e dar-lhe sentido de vida. Contudo, o menino entendia que não era tempo, que ainda havia muito a se fazer ali. De certo o Padre Silva o prestigiava muito, ele era capaz de explicar as coisas de forma que todos entendiam; não como Silva que sempre buscava as palavras mais complicadas, e que as vezes os outros da aldeia nem ainda tinham aprendido. Há quanto tempo ele ouvira falar desse Deus, um ou sete anos? Muito tempo, mas sabia que sua alma pedia mais, mais do que Silva podia lhe falar e que aquela pequena igreja podia suportar caso fosse manifesto em livros...
By: Wilson P. Lobo

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