O Livrinho Vermelho CAP IV


Capitulo IV
A planta demoníaca no sótão
  Quando estava pondo um garfo de macarronada, coberta por um sutil molho de tomate e cheio de queijo ralado, Emily engoliu a seco e resolveu de uma vez por todas questionar quem havia a incomodado em seu quarto. Revirou um pouco as almôndegas no prato, mas não poderia perder esta chance de fazer os pais darem uma bronca em um dos travessos irmãos.
¾                        Mãe?
¾                        Hã?
¾                        Eu queria dizer uma coisa...
¾                        Então diga querida! – respondeu Isabela atenciosa, com um sorriso simpático no rosto.
¾                        Um desses dois pestinhas aí tava me incomodando quando eu tomava banho!
¾                       Mentira! Como ela pode afirmar que foi um de nós? – interrompeu Tommy com o olhar tremulo e cínico.
¾                        Parem de ficar se acusando! Emily, filha, tu vistes um dos meninos sai do seu quarto?
¾                        Não! Mas...
¾                        Viu só mãe? Ela que começa com as mentira aí...
¾                        Calado Tommy! – advertiu Austin. – Eu vi esse garoto descendo a escada muito sorridente. Perguntei o que era, e ele respondeu muito estranhamente suspeito. – Austin encarou Tommy nos olhos, quase lendo seus pensamentos. Certamente estava se averiguando onde errou em sua brincadeira, mas não seria pego ali tão facilmente; ainda nem saíra do castigo que levou uns dias atrás, por ter quebrado uma das lâmpadas da antiga residência.
¾                        Tommy, você andou perturbando sua irmã? – inquiriu Isabela.
¾                        Não...
¾                        A verdade!
¾                        Um pouco...
¾                        Agora estamos avançando.
¾                        Eu não tive nada a ver com isso mãe, eu fiquei o tempo todo no meu quarto. Posso até acrescentar pra acusar a praga do Tommy...
¾                        Não chame seu irmão de praga Nicholas  – advertiu Isabela seca.
¾                        Desculpa. Mas o que queria dizer é que eu o vi, ou melhor, o ouvi caminhando em direção ao quarto da Emily quatro vezes...
¾                        Isso é calúnia mãe!
¾                        Por quê? – Quis saber Nicholas, convicto de que havia ouvido passos no corredor.
¾                        Porque eu só fui pra lá e voltei, então tu só podias ter ouvido duas vezes meus passos. – explicou-se Tommy.
¾                        Hey! Espera aí, mas bateram na minha porta duas vezes seguida. Na primeira eu abri a porta e não vi ninguém. Na segunda, depois de um tempo que parou, eu abri novamente a porta já desistindo do meu banho relaxante. Até encontrei esse livrinho... – Emily pegou um pequeno livro esquisito cujo estava em cima das pernas. – aqui, viu? Então tu deixaste a prova do teu crime em cena!
¾                        Tem alguma explicação pra isso Tommy? – inquiriu Austin.
Tommy calou-se por um instante sem entender a presença do livrinho no quarto da irmã. Não havia levado coisa alguma para lá! Como aparecera um livro daquele então?
Nicholas olhou atento para  livrinho. Parecia muito com os de seu novo achado. Porém, não havia visto este dentro do baú.
Austin e Isabela cochichavam quase prontos para dar a sentença do garoto travesso.
¾                        Não faço nem ideia de onde veio esse livro aí. O Nicholas tem um monte dentro dum baú no quarto dele, mas não vi nenhum como esse aí.
¾                        Tommy, tu já foste pego em flagrante. Ainda vai querer continuar mentindo?
¾                        Não mãe – resmungou Tommy. –, mas este livro aí não fui eu que deixei lá. Confesso também ter incomodado a Emily a primeira vez, mas a segunda não.
¾                        Nicholas foi você? – perquiriu Austin.
¾                        Não pai, nem estive no quarto dela. Estava todo esse tempo no meu quarto olhando o meu baú.
¾                        Ok. Já que ninguém quer contar o restante da verdade. Tommy você ta de castigo por um mês sem TV, já tava sem o vídeo game agora pra completar vai ficar sem a TV. Nicholas, quero ver depois esse baú.
¾                        Ta certa mãe.
¾                        Ah Mãããe, abranda aí no castigo! – choramingou Tommy.
¾                        Besta! Bem feito. – satisfez-se Emily.
Terminaram o jantar naquele clima seco, porém agradável. Tommy era o único emburrado e injuriado.
Após o jantar, Nicholas passeou um tempo pelos corredores longos e compridos do castelo modernista. Sem querer, encontrou ao fim do caminho uma escada que dava entrada ao sótão; nem repensou, subiu por ela. Uma portinha não muito grande selava a passagem, mas sua mãe já havia dado umas chaves pra ele. Como já estava com o objetivo de vagar pelas entranhas da mansão, andava com as chaves no bolso. Tirou uma pequenina do molho, experimentou e sortudamente acertou. Atrás da porta estava o interruptor da lâmpada. Deparou-se com a estranha figura de uma planta num vaso.
Emily assistia TV naquele momento. Um ruído de algo arrastando passou pelo corredor, deixando-a arrepiada. A porta de seu quarto estava aberta, mas não viu nada passar pelo corredor; seja o que fosse, parou antes da porta do quarto dela. A TV tremeu a imagem nuns poucos segundos. Ela levantou-se e corajosamente deu uma olhada pela porta, no entanto estava vazio, ninguém passara por ali, talvez o vento.
Austin e Isabela estavam na sala no primeiro andar, Tommy pedia-lhes que aliviassem o corretivo. Porém permaneciam firmes.
Nicholas aproximou-se da estranha planta. Ouviu um estrondo vindo do corredor, contudo nem desviou sua atenção. Aquela planta havia encantado seus olhos. No vaso desta, existia um medalhão preso, sem correntes ou nada; simplesmente pregado ali, para que não fosse retirado, estava um pouco envelhecido  e rachado. Quando Nicholas aproximou-se daquela coisa, uma folha asquerosa em forma de boca moveu-se em direção da mão dele. Ele tomou tremendo susto e deu um rápido passo pra trás.
Isabela cansou-se das reclamações de Tommy, deixou a sala e foi para o enorme quarto principal. Ali ainda havia muito trabalho a fazer. Austin pegou o aparelho televisor de dentro de uma das caixas da mudança, era um dos objetos que o deixara sem opções de onde colocá-lo. Tinha a estante na sala ou o levaria para seu quarto? Pôr o aparelho ali significaria o fim de suas tardes de folga vendo filmes, pois os filhos sempre o atrapalhariam com as suas vontades; quem venceria: óbvio, o pai sempre cede aos filhos. Mas não demorariam a comprar um novo televisor maior, e também outros pros filhos.
Tommy foi para a varanda. Fora da casa estava ventando intensamente, o ambiente era coberto por um cheiro de folhas molhadas; o céu iluminado por uma lua cheia brilhante, que às vezes era abrigada atrás de nuvens. Algo chamou a atenção de Tommy, havia alguma coisa se esgueirando entre a densa mata a sua frente, um pouco depois do portão de entrada da mansão. Seja o que fosse, queria entrar. Estava esperando para dar o bote. Que bicho será esse? Perguntou-se Tommy pondo as mãos sobre a testa tentando visualizar melhor. Nada. A criatura sumiu tão rápido quanto apareceu.

Nicholas recuou até a porta, ao tocá-la sem desviar o olhar da planta percebeu que a passagem havia sido fechada. O desespero fê-lo sentir um arrepio na espinha. Virou rapidamente. Procurou o buraco da fechadura, mas suas tentativas eram uma atrás da outra falha. Ouviu algo alem das fortes batidas do coração, alguma coisa se arrastava sobre o chão. Logo sentiu aquilo subir-lhe sobre as pernas se entrelaçando.
CONTINUA...

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