O Livrinho Vermelho CAP III
Capitulo III
Brincadeira de fantasma
Próximo às
sete e meia da noite, Isabela passou nos quartos para chamar os filhos para
jantarem. Passou logo no quarto de Emily, ela estava na cama conversando com
alguém no telefone, deu uma breve olhada para a mãe, para que não pensasse que
estava ignorando-a, pois nem a escutou falar. Após, Isabela entrou no quarto de
Nicholas onde também encontrou Tommy. Eles remexiam a caixa encontrada por
Nicholas, assim logo os avisou para estarem lá em baixo em dez minutos. Tommy
ouvira e logo depois da mãe ir embora, ele saiu. Nicholas continuou desanimado
vasculhando o encanecido baú. Isabela voltou à cozinha, ela suspirou cansada e
pouco arrumada, sentou-se de qualquer maneira desajeitada numa cadeira na quina
à mesa. Austin a observou compadecido, ele entendia o esforço que sua querida
teve durante todo o dia, arrumou tantos cantos que nem recordara mais.
Travesso com sempre, Tommy ao passar pelo
quarto da irmã não se conteve a fazer uma brincadeira para incomodá-la. Emily
cansada do dia longo e esgotante cuja teve arrumando e limpando coisas, tomava
uma ducha quente para relaxar; porém sabemos que o irmão não deixaria por muito
tempo.
Um vento passou pela janela esquerda do quarto
de Nicholas, fazendo-a fechar com um súbito barulho o qual o assustou. O menino
levantou aturdido e trancou-a de vez no bedelho; nunca pegara tantos sustos num
só dia, no entanto sabia que o maior motivo para isso estava no nervosismo de
estar num lugar um tanto novo, o desconhecido mundo daquela mansão o instigara.
Queria no dia seguinte adentrar nas entranhas da mansão da família.
Austin parou um instante de pôr os pratos e talheres
sobre a mesa e seguiu à aresta desta, onde estava Isabela. Ela concentrava-se
observando umas árvores cujas balançavam fora da residência, queria entender
direito o objetivo do avô em deixar tamanha fortuna em seu nome. O marido puxou
uma cadeira para perto da esposa distraída, fitou-a um momento.
¾
Isabela, querida. Sei que o dia foi difícil,
depois de jantarmos tens que dormir para recuperar as forças.
¾
Eu sei, mas tem tanto ainda para fazer –
retornou Isabela a realidade. –, eu queria resolver logo tudo.
¾
Entendo amor, mas tens antes que descansar.
Nem que invernes por um ano, estás acabada, destruída – Austin riu, pensara em
como levara sempre as coisas na brincadeira. Isabela riu tranquila, lembrando o
que lhe fazia amar tanto aquele simpático e belo homem sorridente. –, sempre estarei aqui para ajudá-la.
Isabela
levantou-se e beijou o marido, logo os dois estavam olhando pela enorme vista
envidraçada da sala de jantar trocando carícias, como dois adolescentes
apaixonados.
Tommy
sorrateiramente entrou no quarto de Emily. Ouviu-a cantarolar debaixo do
chuveiro, teve de conter o riso. Chegou próximo a porta do banheiro e bateu.
Emily passava as mãos nos longos cabelos lisos e loiro-escuros, quando ouviu
uma batida na porta; perguntou quem era, porém não obteve resposta. Novamente
bateram, e novamente ninguém respondeu. Na terceira vez, Emily, irritada
desligou o chuveiro e cobriu o corpo nu esguio e pálido com um roupão. Ao abrir
a porta, não viu nem ouviu ninguém. Considerou ser brincadeira de um dos
irmãos; retornou ao banho, agora um pouco irritada, no entanto logo esqueceu.
Nicholas
desistindo dos livrinhos atirou-se na cama comprida e larga, macia e
confortável. Suspirou pensando no quanto fora azarado. Fechou os olhos por um
instante, ouviu alguns passos no corredor e deduziu que talvez fosse seu irmão.
Isabela subiu
para seu quarto, este era o maior da casa, com suíte e uma vista para frente do
castelo; um quarto belo e confortável, mesmo que um tanto sombrio. As portas
envidraçadas estavam abertas, estas abriam caminho para a varanda. Isabela
arrastando-se cansada pelo quarto seguiu até a porta e a fechou. Sentou na
cama, por um instante imaginou o que suas amigas diriam ao vê-la em tal mansão.
Recordara de Susana, uma velha amiga, cuja sempre dizia que Isabela teria uma
grande surpresa no futuro, falava isto, pois sua mãe era vidente. Isabela não
Dara muita atenção a amiga, mas agora se perguntara se era disto que Susana
havia previsto.
Austin ainda
estava na cozinha, pondo os manjares sobre a mesa. Tommy surgiu da escada de
mármore branco, rindo descontroladamente. Austin logo suspeitou de tal
repentina alegria. Perguntou por que tanto riso, porém obteve uma resposta
distraída do filho, cujo não queria revelar-lhe o real motivo. No entanto,
Austin já conhecia o garoto, só poderia ser uma travessura a qual ele fez com
um dos irmãos.
Emily ainda
cantarolava no banheiro. Um estranho barulho vindo do quarto rondou o banheiro,
como passos lentos e pesados. Emily desligou o chuveiro e tentou ouvir direito.
¾
Quem está aí? – perguntou a garota.
Sem obter resposta, retornou ao banho que já
estava ficando desagradável. Alguém bateu na porta, um murro forte e másculo. A
garota espantou-se.
¾
Pai é você? – a menina já estava amedrontada,
dificilmente o pai bateria de tal forma.
A garota
apressou-se e terminou rapidamente o banho, cobriu-se novamente com o roupão.
Desconcertada abriu a porta, novamente não viu ninguém. A porta do banheiro,
pesada e grosseira, fechou-se atrás dela num baque estrondoso, fazendo-a quase
por o coração pela boca. Quando já estava mais calma, sentou-se numa cadeira e
logo deduziu que só pudera ser um de seus irmãos, os quais estavam tentando
assustá-la. Esfregou os olhos com as mãos, fitou a sua cama e notou a presença
de um livrinho pequeno de capa branca acima desta. Levantou-se e o pegou.
“Então esta é a prova do crime”, concluiu Emily.
Todos estavam à mesa, prontos para o
delicioso jantar preparado por Isabela.
CONTINUA...



Comentários