(Estreia) O Livrinho Vermelho
A mudança
Capitulo I
Segunda semana de férias. Nicholas, como em todos os outros dias anteriores, levanta-se da cama às onze horas da manhã. Desta vez, disposto a enfrentar uma nova aventura naquele novo dia de sol tão quente. Olhos tampouco abertos, ainda protegendo-os da forte claridade exposta pela janela de seu quarto, Nicholas deitado espreguiça aquela vontade falha de acordar, deixando entrar um forte ar pela boca num último bocejo para acordar. Sentado observa dali, na cama, umas dezenas de pequenos livros, cujos encontrou no dia anterior dentro de um baú debaixo da escada num pequeno e perfeitamente construído armário, daquela nova e explorável casa.
Quarta-feira, dia da mudança, um dia antes daquela manhã. No dia em que achou os livrinhos, Nicholas nem imaginava achar aquela pequena armação organizada debaixo do vão da escada. Curioso como sempre, logo que constatou ter visto uma portinha quando subia a escada, desceu e resolveu verificar o que teria ali. Estava trancada firmemente por um grosso cadeado, nada que o famoso arrombador de portas, como era conhecido o pequeno Nicholas, não pudesse abrir. Em questão de minutos estava o garoto enfrentando o desafio tão misterioso para ele de descobrir o que haveria dentro dali.
Isabela e Austin, pais de Nicholas; naquele instante em que o garoto remexia a portinha com as ferramentas do pai, estavam terminando de trazer para dentro da casa, recém reformada e herdada pela família, seus móveis e outros pertences os quais foram trazidos por um caminhão de mudança.
A casa foi deixada para os familiares pelo avô de Isabela, este morreu muito idoso por conta de problemas respiratórios. Em seu testamento estava bem claro a quem lesse que seu maior prazer seria deixar para a família de sua neta mais nova todos os bens que haviam dentro daquela enorme propriedade, e inclusive esta. Sem ser contestado pelos restantes parentes, Isabela pode receber aquele esplendoroso e magnifico casarão de tantos quartos. Nada comparado ao pequeno apartamento de três quartos onde apertados viviam Isabela, Austin, Nicholas, Tomy (irmão gêmeo de Nicholas) e Emily (a irmã mais velha).
Emily e Tomy remexiam no quintal umas folhas secas próximas a uma enorme árvore. Esta árvore deveria ter uns duzentos anos ali, sua aparência medonha e confortante por causa da grande sombra que fazia com sua copa recoberta de muitos galhos e folhas, instigou os dois a irem ali brincar ou apenas observar a casa de um outro angulo.
A tarde estava ensolarada, poucas nuvens cobriam o céu. Um vento uivava entre as dezenas de árvores ao redor da casa. Emily e Tomy ainda perambulavam pelo denso caminho de árvores atrás da mansão, queriam ver onde terminaria aquele caminho. Porém foram interrompidos pela preocupada Isabela, cuja os viu se desaproximando dali e os chamou de volta. Inseguros, no entanto curiosos, retornaram àquela árvore de antes. Austin soltou o cachorrinho que ainda estava preso dentro da casinha próxima a pia na cozinha, o bicho correu desenfreadamente para o quintal deixando-se levar até onde Emily sua querida dona conversava com o irmão.
Nicholas enfim conseguiu arrancar as dobradiças da portinha, mesmo que não tenha tirado o cadeado, aquilo já fora o bastante para descobrir o que havia ali dentro. Isabela passava por ali levando para segundo andar umas malas, as quais conseguira carregar, quando reparou em Nicholas encolhido vasculhando o armarinho.
– O que estás fazendo filho?
Levando um susto por ouvir inesperadamente a voz da mãe, o garoto bateu a cabeça na parte de cima do armário e veio para fora atordoado.
– Ai! Nada não mãe, ui ui, só vendo o que tem aqui– Sei, vê se não quebra a cabeça aí menino – respondeu a mãe um pouco preocupada com a pancada que o filho levou.– Não, não, essa foi de leve...– Alias, por que tu não me pediste a chave, antes de arrombar essa porta aí?– E isso aqui tem chave?! – espantou-se o menino ao imaginar como seria a chave daquele pesado e bruto cadeado.– Claro! Depois eu te dou, mas vê se conserta isso aí também! Oras! Nem mal chegamos e já tá quebrando tudo na casa! – resmungou exageradamente Isabela para que o filho não repetisse aquilo em outras portas da casa.CONTINUA…Escrito por Wilson P. Lobo



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