O Livrinho Vermelho - CAP. II


Capitulo II
Os livrinhos em branco
   Austin trazia do carro o cachorrinho, Rever, para dentro da casa. Nem mal o libertou do confinamento que estava na casinha apertada de transporte e o Rever correu desenfreado para o quintal da casa, saindo pela cozinha indo em direção de seus donos. Tommy e Emily o receberam com carinho, correram brincaram até fadigarem-se. Isabela no quarto maior da mansão arrumava suas roupas num enorme guarda-roupa. Admirava-se da fenomenal beleza do móvel feito da mais pura e forte madeira, aquilo não fora apenas um guardador e sim um enfeite, uma obra de arte para o quarto; seus entalhes gravados a mão, desenhos bonitos, porém incompreensíveis para ela. Havia símbolos, gravuras que não se assemelhavam a nada, visto antes por Isabela aquilo  com toda certeza seria coisa de seu bisavô, costumava ter muitos outros destes símbolos espalhados pelos diversos móveis da mansão, inclusive em livros.
   Nicholas encontrou dentro do armário um baú, por cima deste algumas prateleiras e atrás destas uma salinha ao fundo. Mais tarde o pai de Nicholas passara por ali e vendo o garoto bisbilhotando, não se conteve e deu uma espiada ali dentro, logo  reconheceu a adega de vinho e outras bebidas naquele vão profundo do armário. Nicholas interessou-se somente em levar o baú dali, depois retornou para consertar o estrago que havia feito.
Anoiteceu. Um vento frio percorria os lados da mansão deixando seus residentes tremendo. Isabela ligou o aquecedor, surpreendeu-se ao achá-lo realmente não imaginava que seu avô tivera um, sempre pensou que o velhote era conservador dos bons tempos, como dizia tal, vivia ao lado da grande lareira na sala em sua poltrona tomando um chá e lendo um de seus diversos livros. Quando criança, Isabela muito curiosa e destemida resolveu xeretar pelas entranhas da mansão. Findou encontrando numa das muitas salas vários livros enfileirados em grandes estantes, parecia que estava na maior biblioteca do mundo; na época tinha doze anos, aquelas estruturas gigantes típicas de biblioteca organizavam cada livro em sua categoria. Inda não satisfeita, adentrou o salão de livros e perambulou pelos muitos corredores, nem imaginava como o avô tivera conseguido tantos livros, afastava-se cada vez mais da porta de entrada, quando percebeu estava perdida.
   Naquele tempo o avô de Isabela ainda andava diferente situação do presente o qual morreu aleijado. Enquanto a curiosa neta de um dos mais ricos homens do país perambulava perdida em meio a milhares de livros, ele tomava seu chá próximo a lareira e também conversava com seu filho favorito, pai de Isabela, e a esposa do filho. Descontraídos, mal puderam ouvir um grito aterrorizante. Isabela estava perdida em meio às colunas enormes de livros daquela sala extraordinariamente grande se tornara um labirinto a prendendo. Enfim escutaram da sala de estar o grito da menina travessa, correram todos à sua procura. Seus pais a procuravam pela casa, mas o avô sabia exatamente onde estava assim seguiu logo para sua biblioteca. Isabela chorava desesperada, desistindo sentou-se no chão próximo a uma estranha estatua de uma serpente medonha. Alias havia diversas estatuetas pequenas e grandes espalhadas pelo salão, assim como um desenho de céu acima no teto, este mostrava  o anoitecer com três luas, diversas estrelas brilhantes e ao fundo no desenho a figura de um dragão se aproximando da lua com flamejantes chamas na boca. Isabela notou alguém chegando perto dela, aliviou-se imensamente ao ver o velhote que a proibira antes de perambular pela mansão, ele estendeu a mão á ela e pediu que não chorasse, pois um dia tudo isso seria dela caso não, seria dos seus filhos. Enxugou as lagrimas, levantou-se e juntos percorreram os muitos corredores da biblioteca, ele mostrou a ela todos os caminhos que a levariam à saída, até que entendesse.

   Emily, logo quando anoiteceu refugiou-se em seu quarto a espera do jantar. Tommy, ainda indeciso quanto ao quarto que escolheria para si, conversava com Nicholas no quarto muito bem escolhido por ele. A visão de uma das duas janelas do quarto dele dava vista ao quintal, a outra aos derredores da mansão. Naquele instante, remexia no baú que encontrou, mais um desafio para ele, o baú tinha um cadeado. Este foi fácil de ser quebrado, abrindo enfim, ele e o irmão almejavam um tesouro, mesmo sabendo da impossibilidade disto, no entanto o que havia dentro do lindo baú eram somente livrinhos pequenos, dúzias de pequenos livros. Tommy pegou um, sua feição de desapontamento era visível, o livrinho estava em branco, nem sequer um rabisco. Nicholas decepcionado inspecionou o restante, contudo todos estavam do mesmo modo, não entendiam como poderiam ter tanto azar. Eram tão bonitos os desenhos na capa dos livros, seria inacreditável descobrir que não havia nada escrito, e aqueles símbolos esquisitos o que seriam? Questionavam.
CONTINUA...

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