Minha Droga De Vida: Especial De Aniversário



PARTE IV
Pedi que se acomodassem, porém creio que não havia como se acomodarem mais, eu fui buscar algo para comermos, enquanto o Jake colocava o filme, também eu tinha de avisar meus pais que estavam ali, entrei em casa e não vi ninguém na sala, então só poderiam estar... pela casa, obvio
Andei mais um pouco pela casa, logo encontrei minha mãe na cozinha, avisei que estavam ali, mas pouco ela se importou, afinal quase sempre vinham. peguei uns salgadinhos, refrigerante e corri pro quarto, ansiosos como são seria bem capaz deles já estarem vendo o filme sem mim, isso não pode. Não queria estar com a razão, mas eu já imaginava, assim como eu disse antes, estavam bem em seus lugares muito confortáveis e vendo o filme sem a minha presença.
     - Oras bolas! Mas nem me esperaram, ta aqui uns salgadinhos Seus!
     - Traz aqui pra mim! -- falou o folgado preguiçoso do Jake.
     - Vem pegar,  coloquei em cima dessa mesinha...
O filme era de terror, logo o clima ficou tenso, como sempre as meninas gritando a cada mera aparição de uma assombração.Não podia ficar melhor, mas ficou pior, o entrometido do Davy apareceu, sei lá, foi de repente, surgiu sentado ali do lado assistindo com os olhos arregalados, não vou esconder, pegamos um susto, quase que nos mata do coração  ele não pode ficar espreitando assim as pessoas, muito menos deixar de avisar que está ali Poxa! Falo isso pelo bem das garotas que se espantaram muito.
Vamos deixar a conversa fiada para outro dia, essa situação que contei antes foi só pra enrolar,  porém ainda tem uma coisa nesta semana antes do meu aniversário que merece ser contado.
Quinta-feira 22 de março faltavam sete dias pro meu aniversário. Eu havia saído com uns amigos na tarde dessa quinta-feira, voltando para casa, já virando a esquina deparo-me com a Nina. Na porta de casa, a poucos metros.
     - Aonde tu estavas garoto?
     - Por ali, por aqui, por acu lar, em muitos lugares e tu?
não te interessa!
     - Como é que tu me pergunta aonde EU tava, se tu não vai me dizer aonde TU tava!?
     - Porque eu sou a mais velha, cai sobre mim, a responsabilidade se acontecer qualquer coisa contigo besta!
     - Mas eu já cheguei Burra! Então já tô em segurança, não preciso que tu fique perguntando aonde eu tava!
Aí pronto, bastou isso que falei para ela pirar e começar uma discussão infidável, entramos em casa naquele bate e reate, ela não ía desistir e eu muito menos, nem percebemos que inha mãe estava na sala com uma amigas.
...   - E o que isso tem haver?! -- disse eu.
      - Tem haver que eu mando em ti, tu tem que me obedecer!
      - Oras! Manda nada, não consegue nem governar uma banana!
      - Olha quem fala, "Senhor Banana" -- Nina riu aos bocados depois de falar isso.
      - Ah ta! Então tu é a "Senhora Banana Torta" sua abestada mandona!
      - Ei! Por que torta?
      - Por... por... porque sim, oras!
      - Quer saber, vai te...
      - Vamos pára por aí essa discussão, tá todo mundo ouvindo aqui! -- advertiu minha mãe espantada, as visitas nem sabiam como reagir aquilo, não entendiam o próprio corpo em rir ou ficar chocados.
      - Vai o que? completa "tortona!"...
      - Chega menino, não tá vendo as visitas -- cochichou Nina, então percebi que estavam ali.
      - Eu lá tô nem aí pra visi... Oi Glória! -- falei para a filha de uma amiga da minha mãe, com a maior cara de cínico.
      - "Oi" Levy.
Saímos da sala, obviamente começa,os a rir depois.
Voltei pra lá após rir muito, tinha de pedir desculpas a elas.
     - Boa tarde gente, desculpem a Nina pela infantilidade dela.
     - Como assim, eu sou infantil?! -- retorna Nina.
     - Mas tu é!
     - Tu pinta o cabelo feito desenho animado e eu sou infantil?!
     - E o que isso tem haver?
     - Fora fora fora! Vão pra outro lugar discutir besteira -- logicamente irritamos nossa mãe.
saindo de lá, ainda ficamos nesse bate boca nos corredores.
     - Cala boca seu chato!
     - Eu chato? Pelo menos sou bonito.
     - Bonito? hahaha não me faça rir.
Coitada da nossa mãe, ficou lá se explicando para as amigas.
     - Desculpa gente, nem sei pra quem puxaram...
     - Não sabe? Fofa se tu não sabe eu sei muito bem! -- declarou uma das melhores amigas de minha mãe, Karla.
     - Como assim, o que tu quis dizer fofa?! -- questionou minha mãe dando inicio a uma discussão entre elas, pareceu até que foram contagiadas pelo nosso espirito de briguentos.
                                   PARTE V - Final do Especial
28 de março, véspera do meu aniversário. Passou-se muitos dias, meus pais não me falaram nem quiseram discutir a possibilidade de uma festinha bem zitinha para mim. Eu estava meio triste, cabes baixo, sem empolgação pra fazer nada, tanto que de manhã na festa deixada pela diretora a ser realizada na sala de aula, eu não comi muita coisa, o que então fez o pessoal perceber que havia algo de errado comigo. Geralmente, quando estou triste a coisa que mas faço é comer, mas aí estava a questão, eu não fiquei triste por não ter festa para mim no dia seguinte, era mais uma sensação de desgosto  rabugice  afinal eu queria tanto ter uma festa.
Tentaram todos me empolgar, animar, agitar, porém em vão, estava muito deprimido, queria é ficar sozinho. Logo, tranquei-me em meu quarto e não deixei ninguém entrar, isto foi mais a noite, no inicio da noite, saí de lá apenas para comer, mesmo assim, ainda na mesa, distraia-me mexendo na comida pouco querendo aquela cheirosa comida feita por minha querida mamãe. Voltei pro quarto e sem mais nem menos dormi.
29 de março, meu aniversário, êba, imaginem esse "êba" desempolgado, uns ou outros parabéns, abraços, beijos, mas ainda não havia superado o fato de não ter festa para mim.
As 15:30 foi quando todos esses sentimentos estavam prontos para começar a mudar, eu nunca ía imaginar aquilo, nem considerar aquela possibilidade. Fui levado mesmo sem querer para dar uma volta no carro com meus pais, passamos quase a tarde toda no cinema, mas o filme nem aumentou nem diminuiu a falta de coragem que eu estava. Quando voltamos é que aconteceu, ali estavam todos, da família  amigos, vizinhos  meus irmãos, o chato do Davy, até mesmo a Glória. Ao entrar em casa, fui imensamente surpreendido por eles que gritaram "SURPRESA!" quase que eu morro ali, era uma mistura de sentimentos, eu só sabia que meu animo e felicidade haviam voltado. Vendo eles cantarem parabéns para mim, lembrei-me que nunca na história da minha vida eu havia sido surpreendido por festas surpresas feitas pra mim, mas dessa vez me pegaram de jeito.
Presentes, bolos, tortas, até enfeites, prepararam tudo, planejaram tudo, sem eu saber, eu havia sido vencido, não por um, mas por todos eles. Esse foi um dos melhores dias da minha vida, logicamente tirando a parte em que eu sofria de angústia, aliás, sem tirar esa parte, afinal sem ela esse não seria o MINHA DROGA DE VIDA.
                                                        ESPECIAL
                                                                     Droga De Aniversário!
                                                                                                                                         Wilson P. Wolf

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